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ali, então - sophia de mello breyner - comentário

  [ sophia  1919 - 2004 ]        ALI, ENTÃO  Ali, então em pleno mundo antigo  À sombra do cipreste e da videira  Olhando o longo tremular do mar  Num silêncio de luas e de trigo  (Como se a morte a dor o tempo e a sorte   Não nos tivessem nunca acontecido)  Em nossas mãos a pausa há-de poisar  Como o luar que poisa nas videiras  E em frente ao longo tremular do mar  Num perfume de vinho e de roseiras  A sombra da videira há-de poisar  Em nossas mãos e havemos de habitar  O silêncio das luas e do trigo  No instante ameaçado e prometido  E os poemas serão o próprio ar  — Canto do ser inteiro e reunido —  Tudo será tão próximo do mar  Como o primeiro dia conhecido      [ Sophia de Mello Breyner - Geografia, 1967 ]    . . . . .  .  .  . texto metalinguístico, traz um caráter reconstrução, nos versos. vejam, há a necessidade de uma p...

um poeta clássico - sophia de mello breyner andresen - comentário

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  [ sophia 1919 - 2004 ]     UM POETA CLÁSSICO   Um poeta clássico   Fará da ausência uma parte do seu jogo:   Prumo esteio coluna   Combate esculpido nas métopas do templo   Una e múltipla   Cada encontro a recomeça:   Agudo gume quando a música ressoa   Venenosa rosa do junho mais antigo   Um poeta clássico   Fará da ausência uma parte do seu jogo   Nem integrada nem assumida   Apenas companheira   Segunda mão poisada sobre a mesa   Mão esquerda   Companheira serena   Das coisas serenas:   Parede livro fruto   E fogosa condutora dos desastres   Que nos esperam em seus pátios lisos         [ S ophia de Mello Breyner - G eogr a fi a 1967 ]    . . . . .  .  .  .            n ota _        métopa -   espaço existente entre dois tríglifos de um friso dórico (arquitetura)   ...

crianças e adolescentes em tempos de crise climática

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  não é só isso   [ leituras de cotidiano ]                                               Diante do agravamento dos eventos climáticos extremos no Brasil e no mundo, como as enchentes  no Rio Grande do Sul em 2024,  que afetaram milhões de pessoas e interromperam o acesso à educação, saúde e moradia,  o Instituto Alana lança, em parceria com o Conanda (Conselho Nacional dos  Direitos da Criança e do Adolescente) e Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), o guia “ Cuidar e proteger: infâncias e adolescências em tempos de crise climática ”, que busca fortalecer e ampliar o alcance do documento " Recomendação do Conada para proteção integral de crianças e adolescentes em situação de riscos e desastres climático s" , publicado em 2024.  O material, apresentado durante a Semana nacional de enfrentamento à violência sexual contra...

desenredo - paulo cesar pinheiro e dori caymmi

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          não é só isso          _ ajudando quem tem dificuldade com leitura _                    D E S E N R E D O            Caymmi & P Cesar Pinheiro   Por toda terra que passo me espanta tudo que vejo   A morte tece seu fio de vida feita ao avesso   O olhar que prende anda solto   O olhar que solta anda preso   Mas quando eu chego eu me enredo   Nas tramas do teu desejo   O mundo todo marcado à ferro, fogo e desprezo   A vida é o fio do tempo, a morte o fim do novelo   O olhar que assusta anda morto   O olhar que avisa anda aceso   Mas quando eu chego eu me perco   Nas tranças do teu segredo   Ê Minas, ê Minas, é hora de partir, eu vou   Vou-me embora pra bem longe   A cera da vela queimando, o homem fazendo seu preço   A morte que a vida anda armando, a vida que a morte a...

aprendendo fora da sala

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      não é só isso  [ leituras de cotidiano ]      alexandre beck postagem para ajudar quem tem dificuldade com interpretação de texto veja se você compreendeu, a partir do que escrevo aqui:  a tirinha não está dizendo apenas que “às vezes não ter aula pode ensinar algo”. a conversa entre adulto e criança  sugere que a experiência fora da escola , também produz aprendizado — tão  marcante quanto o conteúdo formal. olhe: de repente é feriado e a criança questiona sobre não ir à escola. então, vale a explicação e tome aprendizado. de repente, não ter aula, é a consequência de um incidente como uma greve: mais explicações sem rodeios. na lata :  aprender não se limita à sala de aula. o que se aprende ali perde força se não encontra a prática da vida. agora, a prática, sozinha, sem estudo e sem reflexão, também se esvazia. a tirinha não é apenas sobre menino que está descontente por não ir á escola. não é só isso.  se quem leu per...

de um amor morto - sophia de mello breyner - comentário

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  [ sophia breyner 1919 - 2004 ]       De um amor morto    De um amor morto fica   Um pesado tempo quotidiano   Onde os gestos se esbarram   Ao longo do ano   De um amor morto não fica   Nenhuma memória   O passado se rende   O presente o devora   E os navios do tempo   Agudos e lentos   O levam embora   Pois um amor morto não deixa   Em nós seu retrato   De infinita demora   É apenas um facto   Que a eternidade ignora        [ Sophia de Mello Breyner Andresen - Geografia 1967 ]   . . . . .  .  .  . o amor morto incomoda. soa como uma relação terminada, morta, mas não esquecida ("o passado se rende"). parece que o eu lírico gostaria de que algo ficasse consigo. mas o tempo levou embora esse algo. resta o peso do vazio. peso da incompletude. o amor morto passou a ser um fato, apenas. por vezes, nem isso, pois -- segundo o que se lê -- nem...

caminho - sophia de mello breyner - comentário

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             CAMINHO   Na marcha pelo deserto eu sabia   Que alguns morreriam   Mas pensava sob o céu redondo   — Onde   O limite do meu amor da minha força?   E eis que morro antes do próximo oásis   Com a garganta seca e o peso   Ilimitado do sol sobre os meus ombros   Eis que morro cega de brancura   Cansada demais para avistar miragens   Eu sabia   Que alguém   Antes do próximo oásis morreria      [ S ophia de Mello Breyner Andresen - Geografia 1967 ]    . . . . . .  .  .  .   . aqui, o eu lírico está enfraquecido pela caminhada, pelo viver. curzar um deserto é senso comum de sofrimentos. sempre há os que não conseguem e sempre há os que morrem. uma pergunta ecoa, no texto: onde o limite do meu amor...? -- depois, segue-se o sofrimento e a morte. o eu poético está seguindo pelo deserto com outras pessoas. isso pesa. a questão é: por qu...

canto das três raças - paulo cesar pinheiro - resenha

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                                         CANTO DAS TRÊS RAÇAS    Ninguém ouviu um soluçar de dor    No canto do Brasil.    Um lamento triste sempre ecoou    Desde que o índio guerreiro    Foi pro cativeiro e de lá cantou.    Negro entoou um canto de revolta pelos ares    No Quilombo dos Palmares, onde se refugiou.    Fora a luta dos inconfidentes    Pela quebra das correntes.    Nada adiantou.    E de guerra em paz, de paz em guerra,    Todo o povo dessa terra    Quando pode cantar,    Canta de dor.    E ecoa noite e dia: é ensurdecedor.    Ai, mas que agonia    O canto do trabalhador...    Esse canto que devia ser um canto de alegria    Soa apenas como um soluçar de dor       [ CLA...

três personagens condenados pelo desejo

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  [ baú em arraial d'ajuda ] três personagens e  um livro do século 18 três personagens que moram juntos, no século 21                 moema                gaspar             um narrador um bar e  um lar minúsculo que fica em cima litoral de são paulo e  arraial d'ajuda, bahia uma tempestade transformadora três habitantes do lar em cima de um bar algo para chamar de amor e o  enredo de livro antigo corrompendo tudo moema desaparece em determinado momento o narrador e gaspar vão precisar de ajuda para revê-la e cumprir um destino...         a poesia        o desejo      e a vingança como termina essa história ?...   . . . . .  .   .    .   aí você vai ter que ler...    é um romance ! clika

o segredo de jurema - hercule florence e carneiro

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  [ desenho de hercule florence ] o francês hercule florence (1804-79) passa quase 5 anos numa expedição pelo interior do país, com langsdorff: de 1825 a 29 desta expedição,  florence trouxe o "segredo de jurema", iguaria alucinógena citada em "iracema" (alencar) -- a receita era segredo dos tabajaras hercule florence vem morar em campinas no início da década de 1830 florence consegue -- com poucos recursos -- criar a fotografia impressa, pela primeira vez no mundo.  ano: 1833 -- coincidentemente depois que voltou da expedição -- anotem isso! e esse s egredo de jurema podia tornar humanos diferentes -- vá ler "iracema" e depois volte aqui olhem, washington luís -- presidente da república -- tomou um tiro de sua amante, por causa disso;  cezar bierrenbach, político campineiro, deu um tiro em si mesmo, provavelmente por isso também   daí que a estátua de carlos gomes -- o mausoléu do compositor -- traz muito mais do que o corpo do músico, no centro da cidade...

teste da vaca revela a saúde do relacionamento amoroso

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  o teste da vaca está causando rebuliço nas redes sociais isso mesmo. melhor que o teste do pássaro, este novo desafio promete desvendar qual a saúde do relacionamento entre pessoas adultas. é simples:  dirigindo um carro, está a pessoa um . no banco do carona, a pessoa dois. num determinado momento da viagem, acontece o seguinte diálogo: pessoa 2 : olha a vaca! se a pessoa 1 -- que dirige o carro -- observar a mesma vaca e desviar , isso é muito bom , garante a saúde da relação.  agora, se a pessoa 1 desprezar a fala da pessoa 2, ou olhar para outra vaca que não seja a que está na estrada, o veículo irá bater na vaca e a saúde da relação vai para o brejo, muitas das vezes junto com a vaca, a única inocente da história.

dez filmes para debater na escola

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                dez filmes para enriquecer a vida ! procurando filmes ou documentários para sugerir ou mostrar, na escola? arrisque conhecer esta lista! * apocalypse now  -  f coppola - 1979    estado unidos       apocalipse now - saiba mais   * capitão abu raed  -  matalqa & kenneth - 2007    jordânia    capitão abu raed - saiba mais     capitão ... mais sobre o filme * cidade de deus  - f meirelles - 2002    brasil        cidade de deus ! - clica       cidade de deus - saiba mais * o leitor - stephen daldry - 2008   alemanha / eua     o leitor - saiba mais ... * corra, lola, corra - tom tykwer - 1999     alemanha     lola rennt - corra ! clica * o menino e o mundo  - alê abreu - 2013    brasil [ animação ]     o menino e o mundo - saiba mais * meu profe...

mulher andando nua pela casa - drummond

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       MULHER ANDANDO NUA PELA CASA    Mulher andando nua pela casa    envolve a gente de tamanha paz   Não é nudez datada, provocante   É um andar vestida de nudez, inocência de irmã e copo d’água.    O corpo nem sequer é percebido pelo ritmo que o leva   Transitam curvas em estado de pureza, dando este nome à vida:   castidade   Pelos que fascinavam não perturbam   Seios, nádegas (tácito armistício)    repousam de guerra   Também eu repouso          [ carlos drummond  -  o amor natura l, ed record ]   . . . . .  .   .   .    . " andar vestida de nudez " : este é o verso que interessa. o resto não é novidade. a nudez vira um conceito. ela é algo de que se veste e isso provoca olhares do outro. o estado de pureza, destacado nos versos, dá ideia de que a figura feminina é intocável, talvez nem deste mundo... isso é ab...

soneto de drummond - destruição - resenha

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  [ beatriz milhazes ]         DESTRUIÇÃO  Os amantes se amam cruelmente  e com se amarem tanto não se veem.  Um se beija no outro, refletido.  Dois amantes que são? Dois inimigos.   Amantes são meninos estragados  pelo mimo de amar: e não percebem  quanto se pulverizam no enlaçar-se,  e como o que era mundo volve a nada.  Nada, ninguém. Amor, puro fantasma  que os passeia de leve, assim a cobra  se imprime na lembrança de seu trilho.  E eles quedam mordidos para sempre.  Deixaram de existir, mas o existido  continua a doer eternamente.   . . . . .  .  .  .   .    . soneto de versos brancos, ou seja, não têm esquema de rima regular. aqui, o caráter lírico parece querer expor sua face melosa, mas não acontece. não é do estilo do poeta mineiro a plenitude da subjetividade. ainda bem. os termos ligados ao amor, aqui, chamam atenção: cobra, fantasma, inimigo...