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resignação - narcisa amália - comentário

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      RESIGNAÇÃO  - Narcisa Amália   No silêncio das noites perfumosas, Quando a vaga chorando beija a praia, Aos trêmulos rutilos das estrelas, Inclino a triste fronte que desmaia. E vejo o perpassar das sombras castas Dos delírios da leda mocidade; Comprimo o coração despedaçado Pela garra cruenta da saudade. Como é doce a lembrança desse tempo Em que o chão da existência era de flores, Quando entoava o múrmur das esferas A copla tentadora dos amores! Eu voava feliz nos ínvios serros Empós das borboletas matizadas... Era tão pura a abóbada do elísio Pendida sobre as veigas rociadas!... Hoje escalda-me os lábios riso insano, É febre o brilho ardente de meus olhos: Minha voz só retumba em ai plangente, Só juncam minha senda agros abrolhos. Mas que importa esta dor que me acabrunha, Que separa-me dos cânticos ruidosos, Se nas asas gentis da poesia Eleva-me a outros mundos mais formosos?!... Do céu azul, da flor,...

25 de março - narcisa amália

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     VINTE E CINCO DE MARÇO   A noite sepulcral dos tempos idos Plácida avulta a merencória esfinge, Esplêndido fanal que esclarecera        A crente multidão! Monumento do verbo grandioso Deste povo titã, débil ainda... Centelha sideral a que fecundara          A seiva da nação!   Lacerado o sendálio tenebroso Que nos velava os livres horizontes. Entoa o continente americano       Um hino colossal; Mais vivida no peito a fé rutila, Mais nobres s'erguem dos heróis os bustos Cingidos pela flama deslumbrante      Da glória perenal. Mas tu projetas o negror no espaço Que sobre nós desata-se em sudário! Mas teu hálito extingue a luz benéfica       Que acendera o Senhor! Maldição! Maldição! A liberdade Vê de lodo o seu manto salpicado... Do vulcão popular a ígnea lava          Desmaia sem calor. Raiaste...

desengano - narcisa amália

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        DESENGANO   _narcisa amália_   Quando resvala a tarde na alfombra do poente E o manto do crepúsculo se estende molemente, Na hora dos mistérios, dos gozos divinais Despedaçam-me o peito martírios infernais E sinto que, seguindo uma ilusão perdida Me arqueja, treme e expira a lâmpada da vida Feriu-me os olhos tímidos o brilho da esperança A luz do amor crestou-me o riso da criança: E quando procurei - sedenta - uma ventura, Aberta via a fauce voraz da sepultura!... Dilacerou-me o seio, matou-me a crença bela, O tufão mirrador de hórrida procela! Então pálida e triste, alcei a fronte altiva Onde se estampa a dor tenaz que me cativa; Sorvi na taça amarga o fel do sofrimento. E a voz queixosa ergui num último lamento: Era o cantar do cisne, o brado da agonia... E a multidão passou soberba, muda, fria! Desprezo as pompas loucas, desprezo os esplendores, Trilhar quero um caminho orlado só de dores: E além, ...

o baile - narcisa amália

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                 O BAILE              Esta fingida alegria,            Esta ventura que mente,           Que será delas ao romper do dia?..                                 G Dias *   A noite desce lenta e cheia de magia; A multidão febril do templo de alegria,          Invade as vastas salas O mármore, o cristal, a sede e os esplendores, Do manacá despertam os mágicos olores,          À languidez das falas.   Ao rutilar das luzes as dálias desfalecem.. Roçando o pó as vestes das virgens s'enegrecem.            Enturva-se a brancura... O ar vacila tépido... a música divina Semelha o suspirar de uma harpa peregrina.           E a hora da loucura!   Pela janel...

voto - narcisa amália - comentário

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          VOTO                      À MINHA MÃE        Ide ao menos de amor meus pobres cantos   No dia festival em que ela chora,   Com ela suspirar nos doces prantos!                         Álvares de Azevedo   A viração que brinca docemente No leque das palmeiras, Traga à tu'alma inspirações sagradas, Delícias feiticeiras. A flor gazil que expande-se contente Na gleba matizada, Inveja-te a tranquila e leda vida Dos filhos sempre amada. Só teus olhos rorejem délio pranto De mística ternura; Como silfos de luz cerquem-te gozos, Enlace-te a ventura! Os filhos todos submissos junquem De rosas tua estrada: E curvem-se os espinhos sob os passos Da Mãe idolatrada! Tais são as orações que aos céus envia A tua pobre filha: E Deus acolhe o incenso, embora emane De br...