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Mostrando postagens com o rótulo erótico

dia - adélia prado - quando tudo palpita

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  adélia luiza prado de freitas         DIA    As galinhas com susto abrem o bico    e param daquele jeito imóvel     — ia dizer imoral —    as barbelas e as cristas envermelhadas,    só as artérias palpitando no pescoço.    Uma mulher espantada com sexo:    mas gostando muito.                            Adélia Prado    . . . . . .  .  .   .   . aqui é o corpo surpreendido pelo próprio desejo.  mulher transgressora: veja esta escolha de imagens para tratar do erotismo: chão de quintal, galinhas . depois disso, o espanto do desejo físico. vai ficando melhor...  i mpactante a metáfora envolvendo pescoço de galinha e sexo. é o prazer. desejo sem pose. erotismo aqui é literatura.  adélia sabe supreender.

samaritana - olavo bilac - soneto

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soneto decassílabo. poeta faz paródia de uma passagem bíblica, em que jesus cristo, perto de um poço, pede água para uma moça de samaria, a samaritana.  aqui, o apelo erótico toma a frente, na mensagem que é lírica. repare que a mulher é marcada como diferente da original bíblica: ela é um contraste, diz o verso 9 o poeta, depois de beber da "fonte eterna" ( eufemismo! metáfora boa! ) se diz envenenado... e até arrependido... de tão bom que deve ter sido. certeza.                      .  .  .  .  .  .  .  .  .  .  .  .  .   .   .   . SAMARITANA Numa volta de estrada, em sede insana, Vi-te. Ao lado, a frescura da cisterna. E tinhas a expressão piedosa e terna, Como na Bíblia, da Samaritana. Deste-me de beber. Mas quanto engana, Às vezes, a piedade, e a esmola inferna! Deste-me de beber da fonte eterna, De ond...