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Mostrando postagens com o rótulo poesia

cordilheira - paulo cesar pinheiro - comentário

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     não é só isso   _ interprtação de texto_ paulo cesar pinheiro     CORDILHEIRA _ P Cesar Pinheiro & Sueli Costa Eu quero ver a procissão dos suicidas Caminhando para a morte pelo bem de nossas vidas Eu quero crer na solução dos evangelhos Obrigando os nossos moços ao poder dos nossos velhos Eu quero ler o coração dos comandantes Condenando os seus soldados pela orgia dos farsantes Eu quero apenas ser cruel naturalmente E descobrir onde o mal nasce e destruir sua semente Eu quero apenas ser cruel naturalmente E descobrir onde o mal nasce e destruir sua semente Eu quero ter a sensação das cordilheiras Desabando sobre as flores inocentes e rasteiras Eu quero ser da legião dos grandes mitos Transformando a juventude num exército de aflitos Eu quero ver a ascensão de Iscariotes E no sábado um Jesus crucificado em cada poste Eu quero ler na sagração dos estandartes Uma frase escrita a fogo pelo punho de deus Marte Desabando sobre as flores Caminhando par...

escuto - sophia de mello breyner - comentário

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                                                                                      sophia de mello breyner andresen (1919-2004)                                      foto _ inês gonçalves        E scut o   Escuto mas não sei   Se o que ouço é silêncio   Ou deus   Escuto sem saber se estou ouvindo   O ressoar das planícies do vazio   Ou a consciência atenta   Que nos confins do universo   Me decifra e fita   Apenas sei que caminho como quem   É olhado amado e conhecido   E por isso em cada gesto ponho   Solenidade e risco        [Sophia de M Breyner Andresen, Geografia , 1967 ...

fecundação - gilka machado: erotismo que liberta

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  gilka machado 1893 - 1980    Fecundação Teus olhos me olham  longamente,  imperiosamente...  de dentro deles teu amor me espia.  Teus olhos me olham numa tortura  de alma que quer ser corpo,  de criação que anseia ser criatura  Tua mão contém a minha  de momento a momento:  é uma ave aflita  meu pensamento  na tua mão.  Nada me dizes,  porém entra-me a carne a persuasão  de que teus dedos criam raízes  na minha mão.  Teu olhar abre os braços,  de longe,  à forma inquieta de meu ser;  abre os braços e enlaça-me toda a alma.  Tem teu mórbido olhar  penetrações supremas  e sinto, por senti-lo, tal prazer,  há nos meus poros tal palpitação,  que me vem a ilusão  de que se vai abrir  todo meu corpo  em poemas.      [ Gilka Machado, S ublimaçã o, 1928]        nota_      mórbido:   se...

antinoos - sophia de mello bryener - e o amor universal

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        ANTINOOS  Sob o peso nocturno dos cabelos  Ou sob a lua divina do teu ombro  Procurei a ordem intacta do mundo  A palavra não ouvida  Longamente sob o fogo ou sob o vidro  Procurei no teu rosto  A revelação dos deuses que não sei  Porém passaste através de mim  Como passamos através da sombra         [Sophia de M Breyner Andresen, Geografia, 1967 ]       nota _       antinoo - jovem grego amante de adriano, imperador romano, séc 2 d.C .      . . . . . .  .   .   . no plural, antinoo está universalizado. ele é vários. contudo, podemos simplesmente ler "antinoos" como a forma aportuguesada de "antinoo", e segue o jogo.  aqui, ele é a ideia de um amor que se perdeu. antinoo, na história do império romano, foi amante de adriano e morreu aos 20 anos, sendo endeusado pelo imperador.  no poema, o jovem está espiritual...

vontade de chorar - paulo cesar pinheiro

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         VONTADE DE CHORAR                               Paulo C Pinheiro e Ivor Lancelotti Tudo que restou do nosso amor São folhas que o vento soprou E se perderam pelo ar E as recordações me enchem de dor Pois todo o fim de um grande amor Me dá vontade de chorar Todo verso triste que eu puser numa canção É o meu coração que chora E eu fiquei assim quando você Sem dizer adeus foi indo embora Pela minha voz e meu olhar todos verão Como eu vivo triste agora E eu não posso mais com a minha dor Porque qualquer canção de amor,  me dá vontade de chorar  . . . . . . . . .  .  .   . canção que retrata a angústia da perda de um amor. tema caro à literatura brasileira como um todo, desde gregório de mattos. na músíca popular, do século 20, houve mais presença dessa história do sofrer por amor. repara na metalinguagem do verso 7 : " t odo verso trist e ..." -- é...

camões corre perigo

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  " Camões corre perigo.  Ainda? – perguntarão.  Claro que sim – responderei. A vivência amorosa, desde os tempos do poeta luso, parece não ter se alterado muito. (...)   E por que Camões corre perigo? (...) Porque há chance de se buscar e viver agora esse amor que – pra muita gente – só existiria além da vida. Leu os poemas? Leia de novo.  O que está em perigo é justamente esse conceito de amor ideal que só se alcançaria depois de morto. ( ... ) "  . . . . . . .  .  .   .    . este foi pequeno trecho de " camões em perigo " , livro que em 2026 alcança segunda edição.  o que tem lá? sonetos comentados do caolho poeta luso. também uma explanação sobre o renascimento, período em que viveu e produziu sua obra.  além disso, a teoria sobre o perigo que ele corre, veja : por séculos acreditou-se que o amor ideal só existiria depois da morte contudo, alguns sonetos apontam outra direção se for verdade, o velho conceito de a...

pássaro azul de bukowski

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        pássaro azul _ charles bukowski há um pássaro azul em meu peito  que quer sair mas sou duro demais com ele,  eu digo, fique aí,  não deixarei que ninguém o veja.  há um pássaro azul em meu peito  que quer sair mas eu despejo uísque sobre ele e inalo fumaça de cigarro e as putas e os atendentes dos bares e das mercearias  nunca saberão que ele está lá dentro.  há um pássaro azul em meu peito  que quer sair mas sou duro demais com ele, eu digo, fique aí, quer acabar comigo?   quer foder com minha escrita?  quer arruinar a venda dos meus livros na Europa?  há um pássaro azul em meu peito que quer sair  mas sou bastante esperto, deixo que ele saia somente em algumas noites  quando todos estão dormindo.  eu digo, sei que você está aí, então não fique triste.  depois o coloco de volta em seu lugar,  mas ele ainda canta um pouquinho lá dentro, não deixo que morra completamente ...

navio fantasma e o amor à deriva - paulo cesar pinheiro

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  p c pinheiro     NAVIO FANTASMA          [ Francis Hime & P C Pinheiro ]  Os dias ainda suporto  Às noites é que eu me condeno  De madrugada eu acordo  Sangrando canções de veneno.  O sol dos teus olhos me mata  E a lua dos meus te apavora  Derrama-se o ouro na prata  Inventa-se o sangue da aurora.  Marés de saudade já cedo  Batendo nas praias vazias  E o meu coração nos rochedos  Morrendo em marés de agonia.  E assim são as águas da vida  E o mar é um mistério que pasma  Tu és a cidade perdida  E eu sou o navio fantasma.           [ Francis, 1980, Som livre ]  . . . . . .  .  .  .  .   .    . a canção encena um amor em desencontro radical: duas pessoas que se afetam, mas não se encontram no mesmo tempo emocional. ele vive a dor, a saudade, a vigília noturna; ela aparece como luz que mata...

volúpia - gilka machado e o veneno sinuoso

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                                                     gilka machado 1893-1980     VOLÚPIA  Tenho-te do meu sangue alongada nos veios;  à tua sensação me alheio a todo o ambiente;  os meus versos estão completamente cheios  do teu veneno forte, invencível e fluente.  Por te trazer em mim, adquiri-os, tomei-os,  o teu modo sutil, o teu gesto indolente.  Por te trazer em mim moldei-me aos teus coleios,  minha íntima, nervosa e rúbida serpente.  Teu veneno letal torna-me os olhos baços,  e a alma pura, que trago e que te repudia,  inutilmente anseia esquivar-me aos teus laços.  Teu veneno letal torna-me o corpo langue,  numa circulação longa, lenta, macia,  a subir e a descer, no curso do meu sangue.     [ Gilka Machado, E stados d'alm a, 1917 ]       ...

sedução - adélia prado - a poesia que envolve

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       não é só isso      _ajudar com interpretação de texto_         S E D U Ç Ã O  _  Adélia Prado  A poesia me pega com sua roda dentada,  me força a escutar imóvel  o seu discurso esdrúxulo.  Me abraça detrás do muro, levanta  a saia pra eu ver, amorosa e doida.  Acontece a má coisa, eu lhe digo,  também sou filho de Deus,  me deixa desesperar.  Ela responde passando  a língua quente em meu pescoço,  fala pau pra me acalmar,  fala pedra, geometria,  se descuida e fica meiga,  aproveito pra me safar.  Eu corro ela corre mais,  eu grito ela grita mais,  sete demônios mais forte.  Me pega a ponta do pé  e vem até na cabeça,  fazendo sulcos profundos.  É de ferro a roda dentada dela.    . . . . . . .  .  .   .    . perguntas para inciar a interperatação de texto: 1. o que acont...

metade de mim cavalo - poesia de sophia é construção da literatura

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  sophia m breyner 19019-2004 poesia "no deserto" de sophia breyner comentada      _  NO DESERTO  _  Metade de mim cavalo de mim mesma eu te domino  Eu te debelo com espora e rédea  Para que não te percas nas cidades mortas    Para que não te percas  Nem nos comércios de Babilónia  Nem nos ritos sangrentos de Nínive   Eu aponto o teu nariz para o deserto limpo  Para o perfume limpo do deserto  Para a sua solidão de extremo a extremo  Por isso te debelo te combato te domino  E o freio te corta a espora te fere a rédea te retém  Para poder soltar-te livre no deserto  Onde não somos nós dois mas só um mesmo  No deserto limpo com seu perfume de astros  Na grande claridade limpa do deserto  No espaço interior de cada poema  Luz e fogo perdidos mas tão perto  Onde não somos nós dois mas só um mesmo       [ G eografi a, 1967, Sophia M B Andresen ] ...