atelier do escultor do meu tempo - sophia de mello breyner e a arte exilada
sophia de m breyner andresen 1919-2004 ATELIER DO ESCULTOR DO MEU TEMPO Uma nudez geométrica Implanta nos espaços sucessivos O vazio propício à aparição dos fantasmas É aqui que as estátuas mostram A necessidade sem discurso dos seus gestos Exiladas da vida e da cidade Exiladas do tempo Elas convocam O fragmento a mutilação os destroços O peixe que navega sem perturbar o silêncio [ Sophia de Mello Breyner - Geografia, 1967 ] . . . . . . . . poesia do livro "geografia". introspecção e uma devoção à pausa, ao espaço livre, ao silêncio. releia " aqui, então ", " signo " e " um poeta clássico ", do mesmo livro, pelo menos. a nudez geométrica é despojamento calculado, é limite para observar o silêncio. a expressão "exiladas da vida" impõe às estátuas a...