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celular não é o culpado

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  muita gente ainda insiste na história de que o celular é o responsável pelo baixo índice de leitura de nossa juventude...  acho triste, porque o raciocínio fica raso. ao colocar num mesmo patamar livro e telefone isso só prejudica o livro. olhem, se alguém troca leitura por celular -- e não é difícil crer nisso -- é porque não há reconhecimento da importância do livro. quem vive próximo a uma rotina escolar ( profs, direção, estudantes etc ) acostumou-se ao discurso que culpa o celular pelo baixo rendimento no campo da interpretação textual. o foco, então, é bater no aparelho até ele ficar bem menor que o livro.  não dá. é preciso valorizar mais a leitura, ao invés de bater no telefone. não há termo de comparação entre eles porque  a função do aparelho é outra. logo, o que parece uma ajuda para a leitura, na verdade ruma para apequenar o livro.  sim, porque interessa a muita gente que o livro perca até da carreta furacão quando passa na frente de casa.  v...

sunion - sophia de mello breyner - a geometria do silêncio

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                                                     [ sophia de mello bryener andresen 1919 - 2004 ]       Sunion  Na nudez da luz (cujo exterior é o interior)  Na nudez do vento (que a si próprio se rodeia)  Na nudez marinha (duplicada pelo sal)  Uma a uma são ditas as colunas de Sunion              [Sophia de M B Andresen, G eografi a, 1967]       n ota _     sunion é um cabo, grego, onde ficam as ruínas do templo de poseidon   . . . . . . . .  .  .  .  .  .   . texto de caráter descritivo, mas bem subjetivo. uma nudez rodeada por luz, nada de sensualidade, apenas o mundo cru. os termos entre parêntesis são definições essenciais. tudo fica reduzido ao que é.  no primeiro verso, a luz é capaz de expor tudo: d...

a paixão segundo gh é questão de prova

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                                                                                         clarice _ 1920 -77 criei essas questões pensando no vestibular usp _fuvest, que acontece neste 2026. mas não é só isso!  se você conhece alguém que está se preparando para este vestibular ou avaliações escolares, também vale compartilhar.  coloquei gabarito ao final.   . . . . . . .   .   .   . 1. trecho : " A G.H. vivera muito, quero dizer, vivera muitos fatos. Quem sabe eu tive de algum modo pressa de viver logo tudo o que eu tivesse a viver para que me sobrasse tempo de... de viver sem fatos? de viver. Cumpri cedo os deveres de meus sentidos, tive cedo e rapidamente dores e alegrias - para ficar depressa livre do meu destino ...

a festa vai continuar_ simas e eu

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                                          i magem    i c l _ inst conhecimento liberta o contundente estudioso luiz antônio simas sempre fala e escreve que as festas no brasil, tanto as profanas, quanto as sagradas, não são uma ação que aliena. concordo. o brasil que aniquila quem não é branco e rico, tem, no seu espaço, as festas que são marca de resistência. uma ideia de união para que se suporte o peso histórico desse roteiro de escravização, violências contra mulher, racismo pós-abolição, elitização do ensino etc etc... e, hoje, uma financeirização de tudo, uma individualização de tudo. as festas reconstróem -- diz simas -- sentidos coletivos de vida e mantêm viva alguma história, identidade e, consequentemente, força. vejam, escolas de samba, blocos de rua e afins não existem porque desfilam, não existem para o desfile, mas elas desfilam porque existem. vale semp...

caminho de pedras é questão de prova

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                                                       carlos prado _ 1935 na edição de 1999 da siciliano, " caminho de pedras ", (rachel de queiroz), existe uma tela do carlos prado que vai na capa do livro. " varredores de rua " (garis), 1935. vou deixar algumas perguntas, aqui, com gabarito, ao final, de repente ajudam no estudo ou mesmo a quem vai ensinar algo a respeito da obra.  . . . . . . .  .  .   .    . 1 . o que os homens pararecem estar fazendo? qual possível horário em que a cena ocorre? 2 . qual simbologia pode estar presente na árvore seca? _ assinale alternativa correta a) representação da caatinga nordestina, pois o livro se passa em fortaleza, ceará b) reforçar diferença para com o poste qu emite a luz sobre os trabalhadores c)  referência ao romantismo, indicando o lirismo e o bucolismo da p...

sociedade precisa se adaptar à escola

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                    tem sido corrente nas publicações a respeito da educação no brasil a questão da escola que precisa se adaptar a isto ou aquilo. na segunda metade do século 20 diziam que a escola tinha que se adapatar à chegada de televisão, pois tirava criançada do estudo; depois veio o telefone que também atrapalhava, depois a internet e, agora, a inteligência artificial. e a escola tem que se adaptar.  olhem, a escola se adapta sim porque quem trabalha nela são pessoas que têm acesso a essas tecnologias.  o ritmo da escola é orgânico, por incrível que pareça. são pessoas interagindo com outras, estabelecendo regras de convívio e protagonismos. educar não é passar informação. será que precisa desenhar? é a sociedade quem precisa se adaptar à educação escolar e colaborar com ela. dentro do universo escolar, há espaço sim para internet, inteligência artificial, pouso de e.t.'s, feira de ciência, jogos, arte e até debate sobr...

estrela da terra _ paulo cesar pinheiro_ e a chance da transformação coletiva

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                                                    paulo c pinheiro         ESTRELA DA TERRA      Paulo C Pinheiro e Dori Caymni  Por mais que haja dor e agonia  Por mais que haja treva sombria  Existe uma luz que é meu guia  Fincada no azul da amplidão  É o claro da estrela do dia  Sobre a terra da promissão.  Por mais que a canção faça alarde  Por mais que o cristão se acovarde  Existe uma chama que arde  E que não se apaga mais não  É o brilho da estrela da tarde  Na boina do meu capitão.  E a gente  Rebenta do peito a corrente  Com a ponta da lâmina ardente  Da estrela na palma da mão.  Por mais que a paixão não se afoite  Por mais que minh'alma se amoite  Existe um clarão que é um açoite  Mais forte e maior que a paixão...

não tem janta grátis

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  já escrevi carta pra ninguém, já chorei sozinho, já gargalhei sozinho. intempestividade e medo:  uma gangorra. de um lado, carga ancestral afro-descendente, classe social pisoteada e, de outro , chance absurda de poder decidir o próprio destino por causa de uma brecha pra estudar. intempestividade e medo. escrever, amar,  cozinhar . trabalhar ,  explicar, justificar. falar,  contemplar, sonhar . desde o começo,  as ações foram ficando mais abstratas. poesia ruim do tempo.  olhem, já procurei acolhimento na sombra do poste, no abraço alheio, na curva do rio, numa lousa de sala de aula,  na árvore pata-de-vaca,  na mania por criar história,   na estante de livraria,  no chope. menos em mim mesmo. penso nisso, porque no tempo da vida ativa, as demandas do dia não me fizeram pensar em  cuidar mais de mim, não havia essa pauta com trem em movimento. hoje, aos sessenta, tenho dificuldade pra isso... difícil a motivação até pra ...

atelier do escultor do meu tempo - sophia de mello breyner e a arte exilada

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                                     sophia de m breyner 1919-2004       ATELIER DO ESCULTOR DO MEU TEMPO     Uma nudez geométrica    Implanta nos espaços sucessivos    O vazio propício à aparição dos fantasmas    É aqui que as estátuas mostram    A necessidade sem discurso dos seus gestos    Exiladas da vida e da cidade    Exiladas do tempo    Elas convocam    O fragmento a mutilação os destroços    O peixe que navega sem perturbar o silêncio               [ Sophia de Mello Breyner - Geografia, 1967 ]    . . . . .  .  .   . poesia do livro "geografia". introspecção e uma devoção à pausa, ao espaço livre, ao silêncio. releia " aqui, então ", " signo " e " um poeta clássico ", do mesmo livro, pelo menos. a nudez ...