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navio fantasma e o amor à deriva - paulo cesar pinheiro

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  p c pinheiro     NAVIO FANTASMA          [ Francis Hime & P C Pinheiro ]  Os dias ainda suporto  Às noites é que eu me condeno  De madrugada eu acordo  Sangrando canções de veneno.  O sol dos teus olhos me mata  E a lua dos meus te apavora  Derrama-se o ouro na prata  Inventa-se o sangue da aurora.  Marés de saudade já cedo  Batendo nas praias vazias  E o meu coração nos rochedos  Morrendo em marés de agonia.  E assim são as águas da vida  E o mar é um mistério que pasma  Tu és a cidade perdida  E eu sou o navio fantasma.           [ Francis, 1980, Som livre ]  . . . . . .  .  .  .  .   .    . a canção encena um amor em desencontro radical: duas pessoas que se afetam, mas não se encontram no mesmo tempo emocional. ele vive a dor, a saudade, a vigília noturna; ela aparece como luz que mata...

querendo realizar já é um começo

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  já conversei com variadas gentes, nesses últimos anos e confessei que queria morar no litoral. pra quem não sabe, vivo em campinas, s paulo. a praia mais próxima fica uns 230 km daqui. não é longe. eu já disse publicamente e em terapias isso:  um sonho viver por ali, pé na areia, frio ou calor, chuva ou vento, ouvindo e vendo pássaros, tem o sabor do peixe, cheiro de mata atlântica... alguma paz. enfim, da última vez que toquei no tema, veio a frase: " e o que vc está fazendo hoje, pra chegar mais próximo de realizar essa vontade ? " olha, eu tenho um caderno de notas -- em português moderno é "planner" (rs) -- e nele escrevo à mão coisas de que preciso fazer hoje, amanhã, semana que vem... horário de compromissos, rabiscos e contas. muitas contas. boletos, preços... a vida e seu custo.  agora, no meio de tudo isso, no caderno, não existe uma linha sobre o sonho da praia. nada. já falei isso nas intimidades, mas sei que eu mesmo preciso empurrar a carriola dos des...

volúpia - gilka machado e o veneno sinuoso

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                                                     gilka machado 1893-1980     VOLÚPIA  Tenho-te do meu sangue alongada nos veios;  à tua sensação me alheio a todo o ambiente;  os meus versos estão completamente cheios  do teu veneno forte, invencível e fluente.  Por te trazer em mim, adquiri-os, tomei-os,  o teu modo sutil, o teu gesto indolente.  Por te trazer em mim moldei-me aos teus coleios,  minha íntima, nervosa e rúbida serpente.  Teu veneno letal torna-me os olhos baços,  e a alma pura, que trago e que te repudia,  inutilmente anseia esquivar-me aos teus laços.  Teu veneno letal torna-me o corpo langue,  numa circulação longa, lenta, macia,  a subir e a descer, no curso do meu sangue.     [ Gilka Machado, E stados d'alm a, 1917 ]       ...

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a tartaruga e o óbvio

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  seis décadas. seis. é muito?  para um humano urbano, que trabalhou por mais de quatro décadas para enriquecer os outros, é muito.  já para uma tartaruga é pouco. queria dizer algo que prestasse a respeito da solidão que é inerente a certas fases da vida. só me vem um chiado no ouvido, motor de ônibus ao fundo e o tec tec do teclado aqui, na minha frente... vivi achando que o compartilhar coisas, suor, vibrações e arte seria suficiente para a vida inteira. mas não é. a gente nasce sozinho, morre sozinho. ninguém morre pela gente, toma água pela gente, é óbvio. a mim, o óbvio vem sendo uma surpresa escondida. escondida ou negligenciada, eis a questão.  nas terapias da vida, pelos livros, ou na esteira do trabalho, a gente vai descobrindo fissuras no na nossa capa de suposto herói. passa o tempo e a experiência vai mostrando do que a gente é feito. óbvio. queria escrever algo que prestasse sobre essas descobertas do explícito. tipo, a realidade urbana, hoje, que não p...

sedução - adélia prado - a poesia que envolve

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       não é só isso      _ajudar com interpretação de texto_         S E D U Ç Ã O  _  Adélia Prado  A poesia me pega com sua roda dentada,  me força a escutar imóvel  o seu discurso esdrúxulo.  Me abraça detrás do muro, levanta  a saia pra eu ver, amorosa e doida.  Acontece a má coisa, eu lhe digo,  também sou filho de Deus,  me deixa desesperar.  Ela responde passando  a língua quente em meu pescoço,  fala pau pra me acalmar,  fala pedra, geometria,  se descuida e fica meiga,  aproveito pra me safar.  Eu corro ela corre mais,  eu grito ela grita mais,  sete demônios mais forte.  Me pega a ponta do pé  e vem até na cabeça,  fazendo sulcos profundos.  É de ferro a roda dentada dela.    . . . . . . .  .  .   .    . perguntas para inciar a interperatação de texto: 1. o que acont...

mistério dentro de um baú mas não é só isso

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           não é só isso         _ ajudando quem tem dificuldade com interpertação de texto _ texto para leitura e posterior conferência de entendimento: O começo de tudo foi assim: a igreja de Nossa Senhora d’Ajuda, abençoada e abraçada por Manuel da Nóbrega, o padre, é do século 16 também. Bahia. O termo “ajuda” veio do nome de  um dos barcos que chegou à Bahia em 1549, trazendo jesuítas. A região do Arraial é repleta de lendas que envolvem o tema da água que jorrou para fiéis católicos. Água. E Moema, em sua alegre depois triste história morreu onde? Na água. Guarde isso, vai servir, no fim da história. Olhem, quando acontece um restauro de parte da igreja, lá no século 18, encontraram pequeno baú de carnaúba, num buraco, feito uma vala, colado ao altar, sob o piso. Nele, havia panos velhos, rolos de papel esfarelento, uma moeda e pedaço de um quadro, em madeira, que parecia uma santa católica meio travestida de indígena. Um...

oficina de argumentação - o que é

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          _     * clique e baixe o documento!   *   _  . . . . . . . .  .    .    . " oficina de argumentação " _ método simples, básico, para ajudar estudantes a produzir texto argumentativo com mais segurança. funciona assim: dado o tema,  responder algumas perguntas; depois, definir, em poucas palavras, qual tese será desenvolvida; depois, os argumentos e, por fim, conclusão. pronto. seu projeto de texto está feito.  a partir daí, desenvolve-se a redação com mais  segurança.                                    . . . . . . . .     caderno pra te acompanhar - clika

metade de mim cavalo - poesia de sophia é construção da literatura

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  sophia m breyner 19019-2004 poesia "no deserto" de sophia breyner comentada      _  NO DESERTO  _  Metade de mim cavalo de mim mesma eu te domino  Eu te debelo com espora e rédea  Para que não te percas nas cidades mortas    Para que não te percas  Nem nos comércios de Babilónia  Nem nos ritos sangrentos de Nínive   Eu aponto o teu nariz para o deserto limpo  Para o perfume limpo do deserto  Para a sua solidão de extremo a extremo  Por isso te debelo te combato te domino  E o freio te corta a espora te fere a rédea te retém  Para poder soltar-te livre no deserto  Onde não somos nós dois mas só um mesmo  No deserto limpo com seu perfume de astros  Na grande claridade limpa do deserto  No espaço interior de cada poema  Luz e fogo perdidos mas tão perto  Onde não somos nós dois mas só um mesmo       [ G eografi a, 1967, Sophia M B Andresen ] ...

geografia: breve mapa do livro de sophia de mello breyner

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  [ sophia de mello breyner andresen 1919 - 2004 ]              geografia - 1967     poesia de sophia cobra do mundo que volte a ser justo        .    .   .  . . . . . . . . . .  .   .   . o que encontrará no livro "geografia": a luz é assunto recorrente, um  princípio ético antes de ser imagem poética. ela é verdade, justiça, ordem do mundo. exigência de que o real seja legível. e a natureza é uma medida para isso. mar, casa, jardim:   padrões de harmonia contra os quais o mundo histórico é comparado — e quase sempre reprovado. é um c lássico essa poesia há herança grega : forma, limite, proporção. mesmo assim, é poesia ardente e rigorosa ao mesmo tempo . emoção contida com um eu lírico  discreto, p ouca confissão psicológica.  o pa ssado surge como lembrança de um mundo que fazia sentido. já o presente aparece como queda, ruído, injus...

não é só isso - julia lopes de almeida e a educação da mulher

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    não é só isso         _ajudando com interpretação de texto_ A novela Memórias de Martha (Julia Lopes de Almeida) , 1899, retrata a vida de uma mulher da burguesia em situação de exclusão social no fim do século XIX. (...) a trama se ambienta em um cortiço no Rio de Janeiro e narra, a partir da memória da protagonista Martha, experiências marcadas pelo temor religioso na infância, sobretudo após a morte do pai. O enredo expõe dificuldades enfrentadas por Martha e sua mãe, que, após ficar viúva, são obrigadas a viver em condições precárias. A obra apresenta características do realismo-naturalismo, abordando questões como saúde pública, educação e pobreza, e oferecendo um retrato sensível e realista das camadas populares do Rio de Janeiro da época. A importância de Memórias de Martha ultrapassa seu tempo, ao tratar de problemáticas atemporais relacionadas a classe e identidade. Contudo, com o avanço das tecnologias digitais e a transformação das prá...

sessão de conselho de estado - tela de georgina e o protagonismo feminino

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          não é só isso       _interprtação de texto não verbal_ sessão de conselho de estado - georgina albuquerque 1922 pintada no contexto do c entenário da independência (1922) , a obra mostra o momento político anterior ao “grito” (1822): esposa de d pedro, a imperatriz l eopoldina, em posição de destaque . mas não é só isso. perguntas: 1. o que você vê quando olha para ela (sentada) e para os homens? 2. a postura dos homens, diante de leopoldina demonstra qual tipo de sensação?         [ respostas ao final ] tente fazer, por escrito as respostas depois volte aqui e veja se o que fez combina com o que escrevi. continuando: na tela, georgina desloca o foco do heroísmo masculino e militar para a decisão política , doméstica e estratégica — e, sobretudo, coloca uma mulher como agente histórica .   na lata_ aqui, ela desmonta, de vez, o mito da cena do cavalo e o heroísmo masculino. a independência é, na ...

esboço -- gilka machado -- e as prévias do amor: mas não é só isso

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            não é só isso              _interpretação de texto_                                                                                       gilka machado 1893-1980        ESBOÇO   Teus lábios inquietos   pelo meu corpo   acendiam astros...   e no corpo da mata   os pirilampos   de quando em quando,   insinuavam   fosforecentes carícias...   e o corpo do silêncio estremecia,   chocalhava,   com os guizos   do cri-cri osculante   dos grilos que imitavam   a música de tua boca...   e no corpo da noite   as estrelas cantavam   com a voz trêmula e rútila   de teus beijos...     ...