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última aula novembro 2025

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          " viver é melhor que sonhar " (belchior)       " mesmo que eu mande em garrafas mensagens. .." (bosco)              " deixa a vida me levar " (pagodinho)                                                           [ cachoeira é simbólica nesse contexto -- adorei ]                                                           sim, terminei. desde 1986, lá no colégio graphos (s j do rio pardo), até aqui, 39 anos e xis meses dentro de escolas, entre campinas, valinhos, bragança paulista, mogi-mirim, mogi-gaçu, itapira, espírito santo do pinhal, mococa, americana e s j rio pardo. não nessa ordem. ufa.  a energia...

maria bonita e a borboleta

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                       [maria gomes de oliveira 1 910-38 - maria bonita, diferente das outras] hoje acordei com uma angústia do tamanho de um mosquito. inútil e inesquecível. aqui da minha bancada vejo, pela janela, bem-te-vis, pombo, gaviões e uma borboleta insolente no vai-e-vem da brisa, insistindo em viver solta sem rumo certo. maria bonita, do livro " uma história de amor e balas " (wagner), saiu da estante, me encarou, perguntando por que eu gostava tanto de fazer drama do lado de dentro da janela. é a borboleta, respondi. o que é que tem? -  continuou ela, passando o facão pra outra mão. ela voa parece que tá sem rumo, diferente das outras.  e por que isso dá angústia? eu queria ter esse luxo também.

modinha - beatriz milhazes

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  [ modinha, 2007 ] arte contemporânea. arte intensa. visual também. é tão intensa que dá pra ouvir.  é " modinha " o nome da obra. a ideia do nome nos remete a estilo musical, por aqui, pelos séculos 18, 19. impossível, não lembrar taiguara, em "se eu pudesse ser menino eu roubava essa rosa..." -- trecho de sua "modinha" (sergio bittencourt). mais versos revelam outra proximidade com a obra de beatriz:    E o meu verso em pedaços   Só querendo o teu perdão   Eu me perco nos teus passos   E me encontro na canção            [ s. bittencourt & taiguara ] olhem, o abstracionismo é a tônica da peça de beatriz e, lidos os versos da canção "modinha" (taiguara, bittencourt), é uma tentação ligá-los a esta "modinha" da artista. sim, os círculos podem remeter a flores, pensei nisso. flores em pedaços, versos em pedaços porque há alguma tristeza, uma necessidade de reconhecimento por parte da pessoa a quem se oferecem rosas. po...

merda de artista

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  [ p manzoni, 1961 - 4,8 cm x 6,0 cm ] piero manzon i, italiano, nasceu em 1933 e faleceu em 63. é dele esta obra singular e escatológica: cocô em lata. merda que ele mesmo produziu, lá em 1961. foram cerca de 90 latinhas com este conteúdo cheio de signficado e odor. entre maio e junho de 2015, essa merda esteve em são paulo, no mam. eu não fui.  a arte contemporânea, quando entrava na segunda metade do século 20, produziu também polêmica. há quem não goste, eu entendo. há quem nem considere essa coisa uma arte. mas, justamente, na linha da obra "fonte" -- duchamp, 1917 -- manzoni faz o que faz. na verdade, todos fazemos, desde sempre, mas o italiano foi o primeiro que botou a coisa em latinhas para expor e vender. em 2016, uma dessas saiu por 276 mil euros. mais de um milhão de reais. cagada de ouro...  pois é... teve gente que já comprou. teve gente que comprou e abriu. teve quem nem precisasse abrir, porque, com o tempo, elas explodiam, dada a questão dos gases e afin...

fase fálica

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  "fálico" é termo que veio do grego e, aqui, é o adjetivo para "falo", e significa pênis. objetos que sugerem o formato do  órgão genital masculino são símbolos fálicos... marcas de poder masculino, tóxico ou não; pode ser uma espada, bengala, a torre eiffel, uma caminhonete cabine dupla, guarda-chuva, caneta... muitas vezes, essa fase fálica... ah, deixa pra lá.

desejo que mata

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  [ fernando g - níquel náusea ] o desejo. de onde ele vem ? como vive? como se reproduz? aquilo que move. isso: desejo é o que move. para descartes, séc 18, o tal desejo é uma espécie de agitação da alma. como a definição de alma é algo por demais contraditório e quase lúdico, pulemos descartes.  mas o desejo é algo que nos incomoda porque geralmente o que se deseja pode estar longe, então entramos em crise de ansiedade. agora, quando o  desejado fica apenas na cabeça de quem deseja, daí vira artista.  e jeremias? o jeremias da tirinha desejava não desejar e por isso morreu? ou jeremias desejava morrer, então pediu para não ter desejos? é isso? [ deixa nos comentários sua ideia e ajude um ansioso ]

adeus, meus sonhos - postei, saí correndo

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         não é só isso      _ajudando a interpretar texto_                                  ADEUS, MEUS SONHOS   _  Álvares de Azevedo (1831-52)    Adeus, meus sonhos, eu pranteio e morro!    Não levo da existência uma saudade!    E tanta vida que meu peito enchia    Morreu na minha triste mocidade!    Misérrimo! votei meus pobres dias    À sina doida de um amor sem fruto...    E minh’alma na treva agora dorme    Como um olhar que a morte envolve em luto.      Que me resta, meu Deus?!... morra comigo    A estrela de meus cândidos amores,    Já que não levo no meu peito morto    Um punhado sequer de murchas flores!           Álvares de Azevedo, Lira dos vinte anos , séc 19       nota _  ...

discurso que isola pessoas

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                                               mariane santana, pensadora, é categórica na leitura de um discurso neoliberal que vem levando muita gente a uma situação complicada. compra-se a ideia, hoje, de que cuidando do corpo, dormindo tranquilo, tomando água e afins, a vida será melhor e haverá sucesso. o que está fora do discurso é o contexto social ligado à pessoa que quer encarar essa ideia de curar-se dos males existentes e os possíveis, apenas com movimentos físicos.  olhem, é terrível. esse discurso individualista faz determinada pessoa crer que se há desconforto -- no trabalho ou na mente -- ele seria responsabilidade da própria pessoa que não se cuidou bem. o tal discurso do auto-cuidado acima de qualquer coisa desconsidera, de fato, a condição social existente. desconsidera seu status, seu entorno. então, lentamente, silencia essa figura e faz com qu...

mês de professor e professora ganharem parabéns

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  é outubro, aqui. pelas escolas, mês de ganhar algum parabéns, ganhar tapinha nas costas e um "vamo-que-vamo"... isso tudo sem menosprezar os remédios.  a classe trabalhista de professores é uma das mais desunidas do país, isso a gente sabe. educadores e educadoras se contentam, até aqui, em pular de prédio em prédio, para dar conta de jornadas exaustivas por semana, em troca de algo em torno de cinco salários mínimos. cinco ou quatro. não sei, mesmo, porque ainda há quem continue. em 2025, eu ainda sou um desses.  diante de estudantes, estou sempre na tentativa de deixar claro que educação não é informação, que aula não é descrição de fatos... enfim, está cada vez mais difícil. principalmente, no universo da classe média. essa juventude desenvolveu uma capacidade de se encapsular que é notável. ela é  filha das gentes que acreditam no fim dos sentimentos ruins e, por isso,  a ideia é não sofrer. então,  ninguém se expõe. e a vida segue, com estudantes em ...

isto não é um sonho

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                                                                         [ isto não é um sonho ]     sonhando acordado    fico tentando saber quem sou    um pensamento forma outro    esse outro forma outro    todos conseguem ir ao passado     fuçam, xeretam, resmungam    nenhum volta    então    mando um outro pensamento    buscar os que se perderam    daí eu durmo

iniciação - josé paulo paes

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        I N I C I A Ç Ã O Com os olhos tapados pelas minhas mãos, os dois seios de A. tremiam no antegozo e no horror da morte consentida.  De ventosas aferradas à popa transatlântica de B., eu conheci a fúria das borrascas e a combustão dos sóis.   Pelas coxas de C. tive ingresso à imêmore caverna onde o meu desejo ficou preso para sempre nas sombras da parede e no latejar do sangue, realidade última que cega e que ensurdece.             [ prosas seguidas de odes mínimas, j paulo paes ]    . . . . .  .  .  .   .   .    .                nota_               i mêmor e: sem memória texto com pretensão sensual e temperos poéticos. o orgasmo seria essa "morte consentida" ... o que chamavam na frança de "pequena morte", ou seja, o orgasmo era visto assim por franceses e francesas do mundo acadêmico. ...

a rosa das dores

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  carlos ferber foi meu aluno, tempos atrás. não me esqueço. corria o ano de 2008 e ele  estava atento, ouvindo breve comentário que eu fazia, em sala de aula, sobre "rosa", depois de lermos "primeiro motivo da rosa", poemeto singelo da não menos singela cecília meireles. estávamos lendo também "rosa do povo" (drummond) e já havíamos comentado "o nome da rosa" (eco), noutra oportunidade, daí o tema botânico e filosófico se fazer presente.  conversa vai conversa vem, ferber interfere para contar que a tal flor se mantém mais tempo sem murchar se colocarmos, no vaso com água, um comprimido de aspirina. fiquei pensando quais seriam as dores de uma rosa para que pudesse usufruir de renomado quitute.  cartola tinha dito que as rosas não falam, mas, pelo jeito, podem ter enxaqueca, daí aqueles espinhos todos, não sei. mas fica a dica do século, caso suas rosas reclamem de dor.

quadro polêmico sobre vender amores

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                                        [ a vendedora de amores, j. vien, séc 18 ] vem do século 18 a tela de joseph vien, "a vendedora de amores ", em que uma moça, humilde, ajoelha-se numa rica sala, diante de figura nobre e sua acompanhante. a singela vendedora tira de uma cesta um míni-bebê, pela asa, sob o olhar embaçado da provável compradora. não é um anjinho, vou avisando. trata-se de representação do filho de vênus, o cupido. o nome "amor", no plural, indica tudo. amor, cupido. olhem, o mercantilismo iria se transformar no capitalismo, já sabem e era importante marcar posição através daquilo que o dinheiro pudesse comprar. os amores, na cesta, são novos, gordinhos, parecem inofensivos. talvez sejam. a questão é o motivo que leva à compra. as figuras femininas, na cena, irão usar a compra juntas? comprarão um amor para cada uma?... é para presente?... fiquem à vontade. em francês...

prometeu devia parar de sangrar

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                                                               [ prometeu - nicolas adam, séc 17 ]          vem do grego este termo "prometeu" e significa "premonição". na mitologia, ele teria o poder de prever futuros. então, nesta  narrativa grega, prometeu é condenado a ficar acorrentado, acho que isso já se sabe.  por que o castigo?  o tal prometeu, temendo que raça humana fosse dizimada, rouba parte do conhecimento do olimpo (matemática e arte) e entrega aos homens. isso garantiria uma suposta superioridade sobre os outros animais. alguma sobrevida. no limite, podemos dizer que esse é o mito da criação do ser humano, concordam? agora, o que esse povo vem fazendo hoje com o conhecimento recebido, nem prometeu seria capaz de prever. pois bem, prometeu é condenado a ficar numa pedra, na ...