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Mostrando postagens com o rótulo cronica

literatura não autorizada - crônicas de um cotidiano ofensivo

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  " literatura não autorizada " (c h carneiro) reúne crônicas que parecem curtas à primeira vista, mas... não são: cada texto carrega gesto de observação fina do cotidiano, ironia discreta e uma recusa elegante ao óbvio. sim! eu por mim mesmo! vai vendo. literatura que confia no leitor — não explica tudo, não fecha sentidos. "literatura não autorizada" é livro sem conforto mastigado. e o que tem nele:  histórias sobre o navegante bartolomeu dias que roubava mulheres, também outra com virgolino ferreira; também fatos sobre a suposta estátua de álvares de azevedo -- feita pelo amadeo zani (1907) -- no largo s francisco, são paulo; também crônica envolvendo luiza almeida e seu avô-poeta bráulio de abreu, assim como as presenças não menos ilustres de yghor boy, tatiana penido, a rosalina valverde, rodolfo amoedo, o indígena içá mirim, durvalina, a clarice lispector, giovana schluter, emília (do lobato), o próprio lobato, a debora dezena, luiz puntel e mais um tanto de f...

três personagens condenados pelo desejo

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  [ baú em arraial d'ajuda ] três personagens e  um livro do século 18 três personagens que moram juntos, no século 21                 moema                gaspar             um narrador um bar e  um lar minúsculo que fica em cima litoral de são paulo e  arraial d'ajuda, bahia uma tempestade transformadora três habitantes do lar em cima de um bar algo para chamar de amor e o  enredo de livro antigo corrompendo tudo moema desaparece em determinado momento o narrador e gaspar vão precisar de ajuda para revê-la e cumprir um destino...         a poesia        o desejo      e a vingança como termina essa história ?...   . . . . .  .   .    .   aí você vai ter que ler...    é um romance ! clika

última aula novembro 2025

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          " viver é melhor que sonhar " (belchior)       " mesmo que eu mande em garrafas mensagens. .." (bosco)              " deixa a vida me levar " (pagodinho)                                                           [ cachoeira é simbólica nesse contexto -- adorei ]                                                           sim, terminei. desde 1986, lá no colégio graphos (s j do rio pardo), até aqui, 39 anos e xis meses dentro de escolas, entre campinas, valinhos, bragança paulista, mogi-mirim, mogi-gaçu, itapira, espírito santo do pinhal, mococa, americana e s j rio pardo. não nessa ordem. ufa.  a energia...

maria bonita e a borboleta

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                       [maria gomes de oliveira -  1 910-38 - maria bonita, diferente das outras] hoje acordei com uma angústia do tamanho de um mosquito. inútil e inesquecível. aqui da minha bancada vejo, pela janela, bem-te-vis, pombo, gaviões e uma borboleta insolente no vai-e-vem da brisa, insistindo em viver solta sem rumo certo. maria bonita, do livro " uma história de amor e balas " (wagner), saiu da estante, me encarou, perguntando por que eu gostava tanto de fazer drama do lado de dentro da janela. é a borboleta, respondi. o que é que tem? -  continuou ela, passando o facão pra outra mão. ela voa parece que tá sem rumo, diferente das outras.  e por que isso dá angústia? eu queria ter esse luxo também.

fase fálica

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  "fálico" é termo que veio do grego e, aqui, é o adjetivo para "falo", e significa pênis. objetos que sugerem o formato do  órgão genital masculino são símbolos fálicos... marcas de poder masculino, tóxico ou não; pode ser uma espada, bengala, a torre eiffel, uma caminhonete cabine dupla, guarda-chuva, caneta... muitas vezes, essa fase fálica... ah, deixa pra lá.

desejo que mata

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  [ fernando g - níquel náusea ] o desejo. de onde ele vem ? como vive? como se reproduz? aquilo que move. isso: desejo é o que move. para descartes, séc 18, o tal desejo é uma espécie de agitação da alma. como a definição de alma é algo por demais contraditório e quase lúdico, pulemos descartes.  mas o desejo é algo que nos incomoda porque geralmente o que se deseja pode estar longe, então entramos em crise de ansiedade. agora, quando o  desejado fica apenas na cabeça de quem deseja, daí vira artista.  e jeremias? o jeremias da tirinha desejava não desejar e por isso morreu? ou jeremias desejava morrer, então pediu para não ter desejos? é isso? [ deixa nos comentários sua ideia e ajude um ansioso ]

discurso que isola pessoas

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                                               mariane santana, pensadora, é categórica na leitura de um discurso neoliberal que vem levando muita gente a uma situação complicada. compra-se a ideia, hoje, de que cuidando do corpo, dormindo tranquilo, tomando água e afins, a vida será melhor e haverá sucesso. o que está fora do discurso é o contexto social ligado à pessoa que quer encarar essa ideia de curar-se dos males existentes e os possíveis, apenas com movimentos físicos.  olhem, é terrível. esse discurso individualista faz determinada pessoa crer que se há desconforto -- no trabalho ou na mente -- ele seria responsabilidade da própria pessoa que não se cuidou bem. o tal discurso do auto-cuidado acima de qualquer coisa desconsidera, de fato, a condição social existente. desconsidera seu status, seu entorno. então, lentamente, silencia essa figura e faz com qu...

prometeu devia parar de sangrar

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                                                               [ prometeu - nicolas adam, séc 17 ]          vem do grego este termo "prometeu" e significa "premonição". na mitologia, ele teria o poder de prever futuros. então, nesta  narrativa grega, prometeu é condenado a ficar acorrentado, acho que isso já se sabe.  por que o castigo?  o tal prometeu, temendo que raça humana fosse dizimada, rouba parte do conhecimento do olimpo (matemática e arte) e entrega aos homens. isso garantiria uma suposta superioridade sobre os outros animais. alguma sobrevida. no limite, podemos dizer que esse é o mito da criação do ser humano, concordam? agora, o que esse povo vem fazendo hoje com o conhecimento recebido, nem prometeu seria capaz de prever. pois bem, prometeu é condenado a ficar numa pedra, na ...

houston, temos um problema

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                                                                               lua um pouco desarrumada depois de 1969 houston, temos um problema! emoção e razão. isso. leio em "autopsicografia" que a emoção entretém a razão, quando ele, poeta, cria seus versos, sua obra. quase sempre é bom misturar um e outro, como compartilhar o desejo e os orgasmos possíveis. emoção não é a perda da razão, sabia? olhem, em julho constumam comemorar a chegada do homem à lua. foi em 1969. eu vi, pela televisão, acho que era ao vivo. " um pequeno passo para um homem, um grande passo para humanidade " , poetizava armstrong, um segundo antes de sujar a lua com seu pé de botina branca. em 2025 são 56 anos, desde então. 56. somando, dá onze. dizem que é número ligado à intuição. que coisa.  a  l...

a raposa de dentro

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                                                                        [ capa do disco " caça à raposa ", 1975 RCA ]  versos de "caça à raposa", joão bosco e aldir blanc:   O olhar dos cães, a mão nas rédeas  E o verde da floresta  Dentes brancos, cães  A trompa ao longe, o riso  Os cães, a mão na testa  O olhar procura, antecipa  A dor no coração vermelho  Senhoritas, seus anéis, corcéis  E a dor no coração vermelho  O rebenque estala, um leque aponta: Foi por lá!  Um olhar de cão, as mãos são pernas  E o verde da floresta  Oh, manhã entre manhãs!     (...)  Uma cabeleira sobre o feno  Afoga o coração vermelho     (...)   . . . . .  .  .   .   .    . não é preciso m...

se esta rua fosse minha

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  no poema "evocação de recife", do pernambucano manuel bandeira, lemos que uma das preocupações do poeta é com a possível mudança no nome de uma rua, como a do "sol" para, possivelmente, "dr. fulano de tal". uma das ruas mais movimentadas da cidade de são paulo (e talvez a maior, em extensão), chama-se "alcântara machado", apenas conhecida pelo apelido : radial leste. alcântara, para quem não sabe, foi contemporâneo de bandeira, lá pelos anos 1920 e 1930, escreveu, dentre outros, "brás, bexiga e barra funda", crônicas divertidas que ele mesmo quis chamar de "notícias", cujo tema é a imigração italiana. dar nome a ruas, avenidas ou praças não é tarefa difícil. gente importante não falta. o estádio do são paulo futebol clube é o "cícero", mas todo mundo conhece por morumbi. ou, hoje, com nome de chocolatinho. o maracanã, no rio maravilha, tem nome : mário filho (irmão de nélson rodrigues), por acaso, escritor também, ...

pedras no sapato

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  no livro " f elicidade ", gianetti expõe que no século 18, o período iluminista apresentava uma equação que pressupunha uma harmonia entre a busca da felicidade e o progresso da civilização.  não é de hoje que se tem como senso comum que mais conforto material pode gerar melhoria nas ansiedades e até mais longevidade. o romance " a cidade e as serras " (séc 19) do eça de queiroz, vai na mesma linha, quando resume a felicidade ao grau de civilidade de uma pessoa. no final do livro, a teoria é mudada, mas fica o registro de um senso comum à época de eça: civilização é tudo.   atualmente, por onde houver um estudante de classe média fazendo vestibular, país afora, saberemos que a busca é por um curso que "dê dinheiro". nenhum curso dá dinheiro, a gente sabe, mas essa ideia é a cenoura na frente do cavalo. é a busca de uma felicidade que despreza o lado humano da coisa. e o que nasce primeiro : a busca de felicidade ou a do dinheiro ?  o iluminismo perdeu...

o caminho da arte

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  já fui um quadro empoeirado, esquecido na parede rachada de um casarão mofado. se bem que não era exatamente um casarão, porque não havia capelinha no quintal, nem piano dentro da sala. era só um terreno grande, piso de tijolo, coberto de telhas marrons. muita gente morou ali. gerações de plantadores de cana, pescadores, donos de supermercado, um casal de encantadores de serpente aposentados, um youtuber com depressão e duas bailarinas cegas. todos entraram, saíram, mas eu fiquei. quadro. parede, preguinho, pó. fiquei. ninguém sabia quem me pintara nem o que exatamente eu retratava porque, aliás, mudava o tempo todo. pela manhã, aparecia um rosto deformado; à tarde, um campo florido; à noite, um bicho esquisito querendo sair de dentro da tela, como se o óleo ainda estivesse fresco. a moldura era circular o que facilitava a crença em supostas mudanças na imagem. diziam que quem passava tempo demais olhando para mim começava a ouvir sussurros, ou, pior, enxergar partes de si mesmo ...

começo do fim

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                                                   [ a rte c. h. carneiro 20 2 5 ] ultimamente, rotina da vida é me desculpar. fiz isso algumas vezes, em conversa direta com quem eu acreditava que deveria pedir desculpas. com outras pessoas não consegui... por isso,  tenho pedido desculpas mentalmente. parece hipocrisia. deve ser.  faço isso com certa regularidade: a cada vez que respiro, mais ou menos.  noutras situações, tento desculpar a mim mesmo, porque também sou vítima de minhas escolhas. tudo fica difícil quanto mais elaboro a coisa toda dentro da cabeça. fora dela, tento pedir desculpas.   deve haver quem sinta raiva ainda ou quem quer simplesmente que eu me exploda. entendo. errei com várias pessoas. escolhas minhas. buscava acolhimento ou algo similar que, talvez, nunca me deram no início da vida, fazer o que. nunca me dera...

rupestre moderno

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                     [ rupestre moderno - versão engraçada feita por i. a.- fev 2025 ] já fui um velho livro esquecido numa biblioteca subterrânea. ninguém sabia quem me escrevera, nem por que me haviam trancado ali. quem me folheou dizia que as páginas mudavam a cada leitura. o texto se embaralhava, era assombroso. às vezes, eu era um romance trágico; em outras, um tratado filosófico. houve quem jurasse ter encontrado fórmulas matemáticas nunca vistas antes, nas minhas páginas, enquanto outros diziam que eu contava segredos de borboletas extintas. vai vendo. todos que leram, morreram. se bem que é normal humanos morrerem.  até aí, as coisas. por séculos, permaneci intocado, até que uma criança  -- chata, com certeza -- desobedecendo às placas de "cuidado" e "sopa de letrinhas fervendo", acabou me encontrando. a tal criança remelenta abriu minhas páginas e, pela primeira vez, eu soube o que era ter alguém lendo as folhas c...

precisamos nos defender

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                                                                   [ dahmer ] são muias as notícias e informações trágicas: pessoas que matam outras por ciúme, dívida, as urgências climáticas, o fascismo em alta, racismo, a ganância, desmatamento...  precisamos nos defender. num passado não muito distante, grupos da chamada esquerda ideológica pregavam um estado diferente, com distribuição melhor da renda e reforma agrária. hoje, a situação piorou demais, tanto que a chamada esquerda se ocupa agora em defender esse estado que está aí, ou seja: eleição; educação; saúde pública e a não privatização de serviços como luz e água. o básico.  precisamos nos defender.  um caminho é o exercício da argumentação. a leitura. a arte, a ciência, o esporte. compartilhar saídas para esse caos ultra conservador -- filho...

brasil de seis

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  os anos do calendário que terminam com seis são especiais, com oito letras. "especiais" tem oito letras, é o que quis dizer. mas seis é outra coisa. outra esfera -- que tem seis letras. num jantar romântico, seis galinhas pode ser muito, mas numa granja é pouco.  o número seis é bacana porque meu primeiro nome tem seis letras. não sei o seu, mas o meu tem e deve significar muito. ter "seis" no nome combina com "viagem", seis letras... paraty tem seis, claro. em 1976 sonhava-se com abertura política, mas teve aquela explosão do riocentro. meu botafogo, lá de ribeirão preto, ganhava jogo atrás de outro, com sócrates, zé mário, mineiro, wilson campos, nei e tantos outros. os palmeirenses, em abril de 2006 ficaram tristes porque o time verde tomou seis gols do desconhecido figueirense, que não tem seis letras, nem aqui, nem na china, com cinco. aliás, em 1966 perdemos a copa do mundo, eu sei. em 1986 foi outra derrota, desta vez contra a frança, de cinco let...

rubinato e arte eterna

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  joão rubinato faz cento e quatorze anos, neste 2024. joão era o nome de pia. contudo, foi mais conhecido como adoniran barbosa . o primeiro nome vem de seu melhor amigo e o sobrenome, uma homenagem ao cantor luiz barbosa. " saudosa maloca " é um dos sucessos de adoniran. nascido na região de valinhos, s paulo, o compositor fez parceria com o grupo "demônios da garoa", mas sua canção fica mesmo gravada no apelido do torcedor corintiano, o  maloqueiro e sofredor. adoniran e corinthias são de 1910. olhem, se você que me lê não sabe o que é "maloca", não sou eu quem vai explicar. se não sabe quem foi adoniran, aí precisa nascer outra vez. o  clube do parque são jorge também fez 114 anos, em 2024. gente como gilmar (goleiro), rivellino (meia), gabi portilho (atacante) sócrates (meia-atacante), tamíres (ala) ou ronaldo (atacante) foram campeões jogando pelo clube. o maior público para uma partida de futebol, em s paulo, foi num jogo do time. era 1978. o advers...

cara ou coroa

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                                                          [ criação de c h carneiro via i. a. ]   no divertido "guia do turista brasileiro" ( ed conteúdo ) , lúcio rodrigues e bebel enge alertam quem vai à fontana de trevi, em roma, e se entusiasma com o arremesso de moedinhas: "quem joga duas realiza um desejo qualquer (e quem joga três ou mais fica sem trocado para o ônibus)" eu não sei quantas moedinhas você já perdeu, na vida, quer seja na fontana de trevi ou no riacho doce que corta sua cidade, não importa.  jogar moedas pra cima ainda é tradição segura para tomada de decisões, por aqui, como numa aposta ou no começo do futebol. agora jogá-las pra perdê-las no fundo de uma fonte, já me parece bobagem, mas brasileiro é supersticioso até para escolher lugar na mesa pra almoçar, que remédio... será que alguém joga outra coisa, na...

dante também está cansado

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                                        [ dante e gérion -- ilustração: c h carneiro -- via i.a. ] aqui no sudeste faz frio, venta, multiplicam-se galhos e folhas pela rua. roteiro que lembra um livro lá de florença, itália. é junho. no caminho, inferno a dentro, o poeta dante sente arrepios de pavor diante de despenhadeiros, rios de fogo, poços fumegantes, fora a chance de ser morto por um centauro imenso. é " a divina comédia " , lá do século 14.  não há centauros, lá fora, mas o barulho do vento pela janela incomoda. há notícia de pessoas sem casa ou sem teto. bueiros entupidos, árvore sobre carros e carros boiando em alagamentos. no rádio toca "meu santo tá cansado" ( o rappa ). qual saída? para dante, poeta virgílio o aconselha abraçar-se a gérion, um monstro, meio gente, meio réptil, e assim poder passar de uma parte a outra, na busca de sair do inferno. ou seja, abr...