língua - regina azevedo adoça o idioma
não é só isso
_ajudando na interpretação de texto_
L Í N G U A [ Regina Azevedo ]
li um texto
com meu namorado
e agora é me come pra cima
me come pra baixo
é que a vida inteira
tentamos fincar bandeiras
enquanto podíamos sambar
mas agora ele diz
me encoxa
e eu adoro
claro
fico logo molhada
com essa ideia
de sobrepor camadas
de fazer da língua
a própria bala
com meu namorado
e agora é me come pra cima
me come pra baixo
é que a vida inteira
tentamos fincar bandeiras
enquanto podíamos sambar
mas agora ele diz
me encoxa
e eu adoro
claro
fico logo molhada
com essa ideia
de sobrepor camadas
de fazer da língua
a própria bala
. . . . . . . .
interpretação de texto é fazer perguntas, penso eu. então, tome interrogação!
a voz feminina crava: tentamos -- ela e outras mulheres -- fincar bandeira. o que isso diz? por quê?
olhe, fincar bandeira é ato de guerra; é imagem bélica. então, trata-se de uma expressão que indica bartalha. lendo tudo, vai descobrir que pode ser a batalha contra machismo, masculindades tóxicas. mas não é só isso.daí, o diferente: um "mas". para você, leitor, leitora, esse "mas" antecipa o quê? por quê ?
tenta responder por escrito, organize-se, depois volta aqui para ver se o que pensou, combina com o que escrevi.
este "mas" -- conjunção adversativa -- introduz oração que vai contrapor o que já foi dito... o contraponto é o fato do namorado pedir pra ser encoxado, ou seja, ele ficaria um tanto mais passivo nessa hora. para o geral hétero, não é comum. no texto de regina, soa como um equilíbrio. é muito legal! ela adora.
no texto, a voz é feminina ("fico molhada") dando conta que é possível uma ação masculina que destoa dos machismos e padrões que a gente tanto conhece. essa é a revolução: ações sem preconceito, sem preocupação com olhares tortos.
vamos para parte final do texto: a voz feminina cita a língua, palavra-chave do poema, porque é o título. a metáfora se expõe, no desfecho, porque a língua é uma bala. e daí? bala o quê? -- responda, depois volte aqui.
insisto: o namorado pede pra ela encoxá-lo, isso é índice de harmonia, de sossego, sem peso sobre quem deve ser passivo ou ativo, os dois são um gozo só. mas não é só isso. é beleza política, hoje, o namorado pedir pra namorada encoxá-lo. muito lindo! o casal está em diálogo de prazer. ainda bem.
na lata_
o amar orgânico sem adjetivos, sem clichês, é nota de importância do texto de regina. há o balanço lindo entre o "comer pra cima" e "comer pra baixo", tumultua o lirismo, uma delícia.
língua: idioma; órgão físico. interpretação de texto é fazer perguntas, penso eu. então, tome interrogação!
a voz feminina crava: tentamos -- ela e outras mulheres -- fincar bandeira. o que isso diz? por quê?
olhe, fincar bandeira é ato de guerra; é imagem bélica. então, trata-se de uma expressão que indica bartalha. lendo tudo, vai descobrir que pode ser a batalha contra machismo, masculindades tóxicas. mas não é só isso.
tenta responder por escrito, organize-se, depois volta aqui para ver se o que pensou, combina com o que escrevi.
este "mas" -- conjunção adversativa -- introduz oração que vai contrapor o que já foi dito... o contraponto é o fato do namorado pedir pra ser encoxado, ou seja, ele ficaria um tanto mais passivo nessa hora. para o geral hétero, não é comum. no texto de regina, soa como um equilíbrio. é muito legal! ela adora.
no texto, a voz é feminina ("fico molhada") dando conta que é possível uma ação masculina que destoa dos machismos e padrões que a gente tanto conhece. essa é a revolução: ações sem preconceito, sem preocupação com olhares tortos.
vamos para parte final do texto: a voz feminina cita a língua, palavra-chave do poema, porque é o título. a metáfora se expõe, no desfecho, porque a língua é uma bala. e daí? bala o quê? -- responda, depois volte aqui.
é o título. vá para o último verso que contém a bala: a gente chupa ou atira... qual sentido soa melhor? pode também ser a linguagem disparada expondo o prazer na visão feminina, sem clichês e bem direta...
. . . . . . . . .
nos "comentários", escreva o que você pensa sobre esse tema, isso ajuda o tal engajamento e, de repente, essa postagem pretensamente didática atinge mais pessoas. literatura agradece.

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