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Mostrando postagens com o rótulo crítica

caminho - sophia de mello breyner - comentário

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             CAMINHO   Na marcha pelo deserto eu sabia   Que alguns morreriam   Mas pensava sob o céu redondo   — Onde   O limite do meu amor da minha força?   E eis que morro antes do próximo oásis   Com a garganta seca e o peso   Ilimitado do sol sobre os meus ombros   Eis que morro cega de brancura   Cansada demais para avistar miragens   Eu sabia   Que alguém   Antes do próximo oásis morreria      [ S ophia de Mello Breyner Andresen - Geografia 1967 ]    . . . . . .  .  .  .   . aqui, o eu lírico está enfraquecido pela caminhada, pelo viver. curzar um deserto é senso comum de sofrimentos. sempre há os que não conseguem e sempre há os que morrem. uma pergunta ecoa, no texto: onde o limite do meu amor...? -- depois, segue-se o sofrimento e a morte. o eu poético está seguindo pelo deserto com outras pessoas. isso pesa. a questão é: por qu...

soneto de drummond - destruição - resenha

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  [ beatriz milhazes ]         DESTRUIÇÃO  Os amantes se amam cruelmente  e com se amarem tanto não se veem.  Um se beija no outro, refletido.  Dois amantes que são? Dois inimigos.   Amantes são meninos estragados  pelo mimo de amar: e não percebem  quanto se pulverizam no enlaçar-se,  e como o que era mundo volve a nada.  Nada, ninguém. Amor, puro fantasma  que os passeia de leve, assim a cobra  se imprime na lembrança de seu trilho.  E eles quedam mordidos para sempre.  Deixaram de existir, mas o existido  continua a doer eternamente.   . . . . .  .  .  .   .    . soneto de versos brancos, ou seja, não têm esquema de rima regular. aqui, o caráter lírico parece querer expor sua face melosa, mas não acontece. não é do estilo do poeta mineiro a plenitude da subjetividade. ainda bem. os termos ligados ao amor, aqui, chamam atenção: cobra, fantasma, inimigo...

letra líquida - romance

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                                                                   “ letra líquida "   é obra que mistura de ficção, crítica literária e referências culturais brasileiras em uma narrativa fluida e criativa . sim, eu consegui sintetizar o livro em um parágrafo curto. mas não é só isso.  ao longo das páginas, existem interações entre personagens fictícios e elementos da cultura literária e também da história do brasil. tudo isso cria cenário onde a literatura ganha vida -- de fato -- e se entrelaça com o cotidiano dos protagonistas. eles são três: gaspar, moema e o narrador. eles se envolvem ou são envolvidos pela indígena tupinambá. moema é personagem central. ela nasce de um livro brasileiro, lá no século 18, chamado "caramuru", do frei durão. pois que o enredo gira em torno desta moça tupinambá, figu...

uma historiadora obstinada - chimamanda adichie

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  " uma historiadora obstinada"  -  conto do livro "no seu pescoço" de chimamanda adichie " Muitos anos depois que seu marido morreu, Nwamgba ainda fechava os olhos de vez em quando para reviver suas visitas noturnas à cabana dela e as manhãs seguintes, quando ela caminhava até o riacho cantando uma melodia, pensando no cheiro de fumo dele, na firmeza de seu peso, (...) Outras lembranças de Obierika continuavam claras — seus dedos grossos envolvendo a flauta quando ele tocava à noite, seu deleite quando ela servia suas tigelas de comida, suas costas suadas quando ele voltava com cestos cheios de argila fresca  (...)  Okafo e Okoye, os primos de Obierika, faziam visitas demais. Eles ficavam maravilhados com a habilidade de Anikwenwa para tocar flauta (...) mas Nwamgba via a malevolência incandescente que seus sorrisos não conseguiam esconder. Ela temia pelo filho e pelo marido e, quando Obierika morreu — um homem que estava saudável, rindo (...) — ela soube que ...

precisamos nos defender

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                                                                   [ dahmer ] são muias as notícias e informações trágicas: pessoas que matam outras por ciúme, dívida, as urgências climáticas, o fascismo em alta, racismo, a ganância, desmatamento...  precisamos nos defender. num passado não muito distante, grupos da chamada esquerda ideológica pregavam um estado diferente, com distribuição melhor da renda e reforma agrária. hoje, a situação piorou demais, tanto que a chamada esquerda se ocupa agora em defender esse estado que está aí, ou seja: eleição; educação; saúde pública e a não privatização de serviços como luz e água. o básico.  precisamos nos defender.  um caminho é o exercício da argumentação. a leitura. a arte, a ciência, o esporte. compartilhar saídas para esse caos ultra conservador -- filho...

canção para ninar menino grande: a escrevivência de conceição evaristo

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  narradora -- numa espécie de prólogo -- explica ao leitor que vai contar histórias de amor e que o processo é difícil.  o relato do livro trata das relações de mulheres com um homem chamado fio jasmim. no presente da história, ele está com 44 anos, casado, vários filhos, da esposa pérola maria e de outras, como dalva, a ruiva. a construção do livro é obra de duas mulheres: a narradora e juventina. outras mulheres que surgirão na narrativa: aurora, dos santos, angelina, dolores, antonieta, tina, dentre outras.  tina é apelido de juventina.  " (...)  a fala suspensa foge da escrita. E mais, a grafia não registra a intensidade de um silêncio intervalar, diante de um renovado estado de estupor (...)   só falarei do brilho das estrelas, das á rvores frondosas que habitam determinada esquina e debulharei as palavras, da sua raiz até suas derivações, se tudo me vier agarrado à vida (...) fui uma das mulheres de Fio Jasmim (...) não, o moço não me é estranho ...

charlie brown e a resenha de "guerra e paz"

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  vi " peanuts movie " - snoopy e charlie brown -, de 2015.  longa metragem de quase 80 minutos. charlie brown vê a nova garota da sala de aula, por sinal, sua recém-chegada vizinha, e se apaixona. contudo, o garoto morre de vergonha de se aproximar dela. hesita várias vezes. desastrado, não consegue soltar pipa, muito menos é bom aluno. vive desacreditando de si próprio.  é snoopy quem poderá ajudá-lo -- ou não -- a ser reconhecido por ela. o drama nem é profundo, coisas do mundo infantil. mas ver uma figurinha que desabafa com seu cão sobre seus fracassos e medos é algo bem comovente. numa certa altura, diz ele que um cão não julga, simplesmente ama.  ponto alto da história é a decisão que charlie toma diante da necessidade de se mostrar bom aluno e resolve fazer resenha de "guerra e paz", do tolstoi. é comovente tudo. e hilário. charlie brown precisa ser reconhecido por si mesmo, daí poder fazer algum movimento de conquista. não precisa ser melhor que ninguém.

senhora - josé de alencar - resumo

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romance romântico porém, já aponta para o realismo casamento por dinheiro idealização da amada cenário burguês e aristocrático narrativa lenta aspecto de conto de fadas atenção: - aurélia se sente traída por fernando que a abandona por outra mais rica - aurélia -- a tal "senhora" do livro, resolve vingar-se saber mais? assista-me!

nem tudo está perdido - "um café para sócrates"

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marc sautet, já falecido, produziu uma das pérolas da leitura, no século 20. terapia pela filosofia. desde quando palestrava, nos domingos, no café de phares, paris, até a publicação do livro, sautet viu crescer o reino da chamada literatura de auto-ajuda. não vejo nada disso em "um café para sócrates". aliás, antes dele, robert johnson lançou a trilogia "he", "she" e "we" - de que pretendo falar em breve - cujo tema é o relacionamento humano. "he" tem como base prometeu. é a masculinidade em questão. "she" trata de psique, aquela mesma que fez ricochetear a seta do amor de eros... toda ela uma alegoria só da construção de uma figura que poderia existir para satisfazer homens. mitos, aliás, têm como premissa a origem no pensamento humano... mais exatamente o masculino. voltando ao "café...", é uma leitura interessante, linguagem simples e muitas surpresas quanto a encontrar soluções para dilemas individuais ...