Postagens

Mostrando postagens com o rótulo crítica

mordaça - paulo cesar pinheiro e a importância da emoção

Imagem
                                                         o importante é que a nossa emoção sobreviva                           eduardo gudin, marcia e p cesar pinheiro 1975        MORDAÇA  Tudo o que mais nos uniu separou  Tudo o que tudo exigiu renegou  Da mesma forma que quis recusou  O que torna essa luta impossível e passiva  O mesmo alento que nos conduziu debandou  Tudo o que tudo assumiu desandou  Tudo que se construiu desabou  O que faz invencível a ação negativa  É provável que o tempo faça a ilusão recuar  Pois tudo é instável e irregular  E de repente o furor volta  O interior todo se revolta  E faz nossa força se agigantar  Mas só se a vida fluir sem se opor  Mas só se o temp...

árvores necessárias - não é só isso - ajudando na interpretação de texto

Imagem
        não é só isso     _ ajudar na interpretação de texto _ alexandre beck o que a tirinha lhe comunica? o garotinho muda de postura na penúltima cena, o que te parece?  tenta responder, por escrito, depois volte aqui, veja se o que escrevi combina com o que pensou.  menino olha o toco de árvore e sente vergonha. algo ali deu errado — não só no corte da árvore, mas no jeito como a gente trata o mundo.  importante:  quem é o "vocês", no último quadrinho? -- pensa, escreve, mais abaixo, sugiro a resposta a árvore, mesmo ferida, responde: há pequeno galho brotando, ainda insistindo. não se trata apenas de uma tirinha motivacional, tipo "preserve a natureza", "viva a esperteza das crianças" etc. não é só isso.   na lata_ a tirinha é incômoda. o toco é uma derrota, sim — nossa. mas o broto é aviso: a natureza resiste apesar da gente. o menino não comemora; ele se reposiciona. é um alerta. outra pergunta: alerta para quê? o que pode a...

caminho - sophia de mello breyner - comentário

Imagem
             CAMINHO   Na marcha pelo deserto eu sabia   Que alguns morreriam   Mas pensava sob o céu redondo   — Onde   O limite do meu amor da minha força?   E eis que morro antes do próximo oásis   Com a garganta seca e o peso   Ilimitado do sol sobre os meus ombros   Eis que morro cega de brancura   Cansada demais para avistar miragens   Eu sabia   Que alguém   Antes do próximo oásis morreria      [ S ophia de Mello Breyner Andresen - Geografia 1967 ]    . . . . . .  .  .  .   . aqui, o eu lírico está enfraquecido pela caminhada, pelo viver. curzar um deserto é senso comum de sofrimentos. sempre há os que não conseguem e sempre há os que morrem. uma pergunta ecoa, no texto: onde o limite do meu amor...? -- depois, segue-se o sofrimento e a morte. o eu poético está seguindo pelo deserto com outras pessoas. isso pesa. a questão é: por qu...

letra líquida - romance

Imagem
                                                                   “ letra líquida "   é obra que mistura de ficção, crítica literária e referências culturais brasileiras em uma narrativa fluida e criativa . sim, eu consegui sintetizar o livro em um parágrafo curto. mas não é só isso.  ao longo das páginas, existem interações entre personagens fictícios e elementos da cultura literária e também da história do brasil. tudo isso cria cenário onde a literatura ganha vida -- de fato -- e se entrelaça com o cotidiano dos protagonistas. eles são três: gaspar, moema e o narrador. eles se envolvem ou são envolvidos pela indígena tupinambá. moema é personagem central. ela nasce de um livro brasileiro, lá no século 18, chamado "caramuru", do frei durão. pois que o enredo gira em torno desta moça tupinambá, figu...

uma historiadora obstinada - chimamanda adichie

Imagem
  " uma historiadora obstinada"  -  conto do livro "no seu pescoço" de chimamanda adichie " Muitos anos depois que seu marido morreu, Nwamgba ainda fechava os olhos de vez em quando para reviver suas visitas noturnas à cabana dela e as manhãs seguintes, quando ela caminhava até o riacho cantando uma melodia, pensando no cheiro de fumo dele, na firmeza de seu peso, (...) Outras lembranças de Obierika continuavam claras — seus dedos grossos envolvendo a flauta quando ele tocava à noite, seu deleite quando ela servia suas tigelas de comida, suas costas suadas quando ele voltava com cestos cheios de argila fresca  (...)  Okafo e Okoye, os primos de Obierika, faziam visitas demais. Eles ficavam maravilhados com a habilidade de Anikwenwa para tocar flauta (...) mas Nwamgba via a malevolência incandescente que seus sorrisos não conseguiam esconder. Ela temia pelo filho e pelo marido e, quando Obierika morreu — um homem que estava saudável, rindo (...) — ela soube que ...

precisamos nos defender

Imagem
                                                                   [ dahmer ] são muias as notícias e informações trágicas: pessoas que matam outras por ciúme, dívida, as urgências climáticas, o fascismo em alta, racismo, a ganância, desmatamento...  precisamos nos defender. num passado não muito distante, grupos da chamada esquerda ideológica pregavam um estado diferente, com distribuição melhor da renda e reforma agrária. hoje, a situação piorou demais, tanto que a chamada esquerda se ocupa agora em defender esse estado que está aí, ou seja: eleição; educação; saúde pública e a não privatização de serviços como luz e água. o básico.  precisamos nos defender.  um caminho é o exercício da argumentação. a leitura. a arte, a ciência, o esporte. compartilhar saídas para esse caos ultra conservador -- filho...

canção para ninar menino grande: a escrevivência de conceição evaristo

Imagem
  narradora -- numa espécie de prólogo -- explica ao leitor que vai contar histórias de amor e que o processo é difícil.  o relato do livro trata das relações de mulheres com um homem chamado fio jasmim. no presente da história, ele está com 44 anos, casado, vários filhos, da esposa pérola maria e de outras, como dalva, a ruiva. a construção do livro é obra de duas mulheres: a narradora e juventina. outras mulheres que surgirão na narrativa: aurora, dos santos, angelina, dolores, antonieta, tina, dentre outras.  tina é apelido de juventina.  " (...)  a fala suspensa foge da escrita. E mais, a grafia não registra a intensidade de um silêncio intervalar, diante de um renovado estado de estupor (...)   só falarei do brilho das estrelas, das á rvores frondosas que habitam determinada esquina e debulharei as palavras, da sua raiz até suas derivações, se tudo me vier agarrado à vida (...) fui uma das mulheres de Fio Jasmim (...) não, o moço não me é estranho ...

charlie brown e a resenha de "guerra e paz"

Imagem
  vi " peanuts movie " - snoopy e charlie brown -, de 2015.  longa metragem de quase 80 minutos. charlie brown vê a nova garota da sala de aula, por sinal, sua recém-chegada vizinha, e se apaixona. contudo, o garoto morre de vergonha de se aproximar dela. hesita várias vezes. desastrado, não consegue soltar pipa, muito menos é bom aluno. vive desacreditando de si próprio.  é snoopy quem poderá ajudá-lo -- ou não -- a ser reconhecido por ela. o drama nem é profundo, coisas do mundo infantil. mas ver uma figurinha que desabafa com seu cão sobre seus fracassos e medos é algo bem comovente. numa certa altura, diz ele que um cão não julga, simplesmente ama.  ponto alto da história é a decisão que charlie toma diante da necessidade de se mostrar bom aluno e resolve fazer resenha de "guerra e paz", do tolstoi. é comovente tudo. e hilário. charlie brown precisa ser reconhecido por si mesmo, daí poder fazer algum movimento de conquista. não precisa ser melhor que ninguém.

senhora - josé de alencar - resumo

Imagem
romance romântico porém, já aponta para o realismo casamento por dinheiro idealização da amada cenário burguês e aristocrático narrativa lenta aspecto de conto de fadas atenção: - aurélia se sente traída por fernando que a abandona por outra mais rica - aurélia -- a tal "senhora" do livro, resolve vingar-se saber mais? assista-me!

nem tudo está perdido - "um café para sócrates"

Imagem
marc sautet, já falecido, produziu uma das pérolas da leitura, no século 20. terapia pela filosofia. desde quando palestrava, nos domingos, no café de phares, paris, até a publicação do livro, sautet viu crescer o reino da chamada literatura de auto-ajuda. não vejo nada disso em "um café para sócrates". aliás, antes dele, robert johnson lançou a trilogia "he", "she" e "we" - de que pretendo falar em breve - cujo tema é o relacionamento humano. "he" tem como base prometeu. é a masculinidade em questão. "she" trata de psique, aquela mesma que fez ricochetear a seta do amor de eros... toda ela uma alegoria só da construção de uma figura que poderia existir para satisfazer homens. mitos, aliás, têm como premissa a origem no pensamento humano... mais exatamente o masculino. voltando ao "café...", é uma leitura interessante, linguagem simples e muitas surpresas quanto a encontrar soluções para dilemas individuais ...