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Mostrando postagens de junho, 2026

afiliado de responsa _ livros brinquedos e surpresas

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pássaro azul de bukowski

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        pássaro azul _ charles bukowski há um pássaro azul em meu peito  que quer sair mas sou duro demais com ele,  eu digo, fique aí,  não deixarei que ninguém o veja.  há um pássaro azul em meu peito  que quer sair mas eu despejo uísque sobre ele e inalo fumaça de cigarro e as putas e os atendentes dos bares e das mercearias  nunca saberão que ele está lá dentro.  há um pássaro azul em meu peito  que quer sair mas sou duro demais com ele, eu digo, fique aí, quer acabar comigo?   quer foder com minha escrita?  quer arruinar a venda dos meus livros na Europa?  há um pássaro azul em meu peito que quer sair  mas sou bastante esperto, deixo que ele saia somente em algumas noites  quando todos estão dormindo.  eu digo, sei que você está aí, então não fique triste.  depois o coloco de volta em seu lugar,  mas ele ainda canta um pouquinho lá dentro, não deixo que morra completamente ...

navio fantasma e o amor à deriva - paulo cesar pinheiro

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  p c pinheiro     NAVIO FANTASMA          [ Francis Hime & P C Pinheiro ]  Os dias ainda suporto  Às noites é que eu me condeno  De madrugada eu acordo  Sangrando canções de veneno.  O sol dos teus olhos me mata  E a lua dos meus te apavora  Derrama-se o ouro na prata  Inventa-se o sangue da aurora.  Marés de saudade já cedo  Batendo nas praias vazias  E o meu coração nos rochedos  Morrendo em marés de agonia.  E assim são as águas da vida  E o mar é um mistério que pasma  Tu és a cidade perdida  E eu sou o navio fantasma.           [ Francis, 1980, Som livre ]  . . . . . .  .  .  .  .   .    . a canção encena um amor em desencontro radical: duas pessoas que se afetam, mas não se encontram no mesmo tempo emocional. ele vive a dor, a saudade, a vigília noturna; ela aparece como luz que mata...

querendo realizar já é um começo

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  já conversei com variadas gentes, nesses últimos anos e confessei que queria morar no litoral. pra quem não sabe, vivo em campinas, s paulo. a praia mais próxima fica uns 230 km daqui. não é longe. eu já disse publicamente e em terapias isso:  um sonho viver por ali, pé na areia, frio ou calor, chuva ou vento, ouvindo e vendo pássaros, tem o sabor do peixe, cheiro de mata atlântica... alguma paz. enfim, da última vez que toquei no tema, veio a frase: " e o que vc está fazendo hoje, pra chegar mais próximo de realizar essa vontade ? " olha, eu tenho um caderno de notas -- em português moderno é "planner" ( rs ) -- e nele escrevo à mão coisas de que preciso fazer hoje, amanhã... horário de compromissos, rabiscos e contas. muitas contas. a vida e seu custo.  agora, no meio de tudo isso, no caderno, não existe uma linha sobre o sonho da praia. nada. já falei isso nas intimidades, mas sei que eu mesmo preciso empurrar a carriola dos desejos e ver aonde chego. eu mesmo....

volúpia - gilka machado e o veneno sinuoso

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                                                     gilka machado 1893-1980     VOLÚPIA  Tenho-te do meu sangue alongada nos veios;  à tua sensação me alheio a todo o ambiente;  os meus versos estão completamente cheios  do teu veneno forte, invencível e fluente.  Por te trazer em mim, adquiri-os, tomei-os,  o teu modo sutil, o teu gesto indolente.  Por te trazer em mim moldei-me aos teus coleios,  minha íntima, nervosa e rúbida serpente.  Teu veneno letal torna-me os olhos baços,  e a alma pura, que trago e que te repudia,  inutilmente anseia esquivar-me aos teus laços.  Teu veneno letal torna-me o corpo langue,  numa circulação longa, lenta, macia,  a subir e a descer, no curso do meu sangue.     [ Gilka Machado, E stados d'alm a, 1917 ]       ...

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a tartaruga e o óbvio

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  seis décadas. seis. é muito?  para um humano urbano, que trabalhou por mais de quatro décadas para enriquecer os outros, é muito.  já para uma tartaruga é pouco. queria dizer algo que prestasse a respeito da solidão que é inerente a certas fases da vida. só me vem um chiado no ouvido, motor de ônibus ao fundo e o tec tec do teclado aqui, na minha frente... vivi achando que o compartilhar coisas, suor, vibrações e arte seria suficiente para a vida inteira. mas não é. a gente nasce sozinho, morre sozinho. ninguém morre pela gente, toma água pela gente, é óbvio. a mim, o óbvio vem sendo uma surpresa. ou uma realidade que negligenciei, vai saber... nas terapias da vida, pelos livros, ou na esteira do trabalho, a gente vai descobrindo fissuras no na nossa capa de suposto herói. passa o tempo e a experiência vai mostrando do que a gente é feito. óbvio. queria escrever algo que prestasse sobre essas descobertas do explícito. tipo, a realidade urbana, hoje, que não permite prox...

sedução - adélia prado - a poesia que envolve

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       não é só isso      _ajudar com interpretação de texto_         S E D U Ç Ã O  _  Adélia Prado  A poesia me pega com sua roda dentada,  me força a escutar imóvel  o seu discurso esdrúxulo.  Me abraça detrás do muro, levanta  a saia pra eu ver, amorosa e doida.  Acontece a má coisa, eu lhe digo,  também sou filho de Deus,  me deixa desesperar.  Ela responde passando  a língua quente em meu pescoço,  fala pau pra me acalmar,  fala pedra, geometria,  se descuida e fica meiga,  aproveito pra me safar.  Eu corro ela corre mais,  eu grito ela grita mais,  sete demônios mais forte.  Me pega a ponta do pé  e vem até na cabeça,  fazendo sulcos profundos.  É de ferro a roda dentada dela.    . . . . . . .  .  .   .    . perguntas para inciar a interperatação de texto: 1. o que acont...

mistério dentro de um baú mas não é só isso

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           não é só isso         _ ajudando quem tem dificuldade com interpertação de texto _ texto para leitura e posterior conferência de entendimento: O começo de tudo foi assim: a igreja de Nossa Senhora d’Ajuda, abençoada e abraçada por Manuel da Nóbrega, o padre, é do século 16 também. Bahia. O termo “ajuda” veio do nome de  um dos barcos que chegou à Bahia em 1549, trazendo jesuítas. A região do Arraial é repleta de lendas que envolvem o tema da água que jorrou para fiéis católicos. Água. E Moema, em sua alegre depois triste história morreu onde? Na água. Guarde isso, vai servir, no fim da história. Olhem, quando acontece um restauro de parte da igreja, lá no século 18, encontraram pequeno baú de carnaúba, num buraco, feito uma vala, colado ao altar, sob o piso. Nele, havia panos velhos, rolos de papel esfarelento, uma moeda e pedaço de um quadro, em madeira, que parecia uma santa católica meio travestida de indígena. Um...