antinoos - sophia de mello bryener - e o amor universal

 


      ANTINOOS

 Sob o peso nocturno dos cabelos  Ou sob a lua divina do teu ombro  Procurei a ordem intacta do mundo  A palavra não ouvida  Longamente sob o fogo ou sob o vidro  Procurei no teu rosto  A revelação dos deuses que não sei  Porém passaste através de mim  Como passamos através da sombra

    [Sophia de M Breyner Andresen, Geografia, 1967 ]

      nota_    antinoo - jovem grego amante de adriano, imperador romano, séc 2 d.C.    . . . . . .  .   .   .

no plural, antinoo está universalizado. ele é vários. contudo, podemos simplesmente ler "antinoos" como a forma aportuguesada de "antinoo", e segue o jogo.  aqui, ele é a ideia de um amor que se perdeu. antinoo, na história do império romano, foi amante de adriano e morreu aos 20 anos, sendo endeusado pelo imperador.  no poema, o jovem está espiritualizado -- veja os dois últimos versos -- isso traz ideia de que a busca do amor é recorrente. a procura ocupa todo o espaço.  os deuses são uma revelação de um amor intenso, físico e espiritual também. para adriano, estar com o jovem era como se relacionar com um deus. "antinoos" é busca de um amor absoluto. 

a questão é: quem de nós nunca perdeu um amor que se pretendia perfeito? e não falo apenas de relacionamento entre pessoas, pode com a arte, o trabalho, o esporte, enfim. comumente, no entanto, não tratamos o amor desta forma em que está no texto, como algo que pode passar. tratamos o amor como causa. é desse sentimento que brotarão projetos, filhos, novo humor... agora, a pergunta que fica: quem de nós nunca perdeu um amor? piorando: quem nunca perdeu a possibilidade de?
chega por hoje. 

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