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Mostrando postagens com o rótulo sophia

metade de mim cavalo - poesia de sophia é construção da literatura

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  sophia m breyner 19019-2004 poesia "no deserto" de sophia breyner comentada      _  NO DESERTO  _  Metade de mim cavalo de mim mesma eu te domino  Eu te debelo com espora e rédea  Para que não te percas nas cidades mortas    Para que não te percas  Nem nos comércios de Babilónia  Nem nos ritos sangrentos de Nínive   Eu aponto o teu nariz para o deserto limpo  Para o perfume limpo do deserto  Para a sua solidão de extremo a extremo  Por isso te debelo te combato te domino  E o freio te corta a espora te fere a rédea te retém  Para poder soltar-te livre no deserto  Onde não somos nós dois mas só um mesmo  No deserto limpo com seu perfume de astros  Na grande claridade limpa do deserto  No espaço interior de cada poema  Luz e fogo perdidos mas tão perto  Onde não somos nós dois mas só um mesmo       [ G eografi a, 1967, Sophia M B Andresen ] ...

geografia: breve mapa do livro de sophia de mello breyner

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  [ sophia de mello breyner andresen 1919 - 2004 ]              geografia - 1967     poesia de sophia cobra do mundo que volte a ser justo        .    .   .  . . . . . . . . . .  .   .   . o que encontrará no livro "geografia": a luz é assunto recorrente, um  princípio ético antes de ser imagem poética. ela é verdade, justiça, ordem do mundo. exigência de que o real seja legível. e a natureza é uma medida para isso. mar, casa, jardim:   padrões de harmonia contra os quais o mundo histórico é comparado — e quase sempre reprovado. é um c lássico essa poesia há herança grega : forma, limite, proporção. mesmo assim, é poesia ardente e rigorosa ao mesmo tempo . emoção contida com um eu lírico  discreto, p ouca confissão psicológica.  o pa ssado surge como lembrança de um mundo que fazia sentido. já o presente aparece como queda, ruído, injus...

o vazio desenhava desde sempre - sophia m breyner - comentário

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                                                                            [ sophia de mello breyner andresen 1919 - 2004 ]         O VAZIO DESENHAVA DESDE SEMPRE    O vazio desenhava desde sempre a forma do teu rosto     Todas as coisas serviam para nos ensinar      A ardente perfeição da tua ausência        [Sophia M B Andresen, Geografia, 1967 ]     . . . . . . .  .  .  .   . poema lírico onde a tristeza é limpa, quase arquitetônica.  bem joão cabral mesmo. aqui, a ausência dói, mas é plena. intensa, pois  houve aprendizado. e este é tema recorrente, no livro: a ausência; o vazio. esses elementos (ausência, vazio e afins) têm vivacidade. são ativos no universo desses...

túmulo de lorca é poesia manifesto - sophia de mello breyner

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  federico garcía lorca 1898 - 1936 texto comentado de sophia m breyner:       TÚMULO DE LORCA   Em ti choramos os outros mortos todos  Os que foram fuzilados em vigílias sem data  Os que se perdem sem nome na sombra das cadeias  Tão ignorados que nem sequer podemos  Perguntar por eles imaginar seu rosto  Choramos sem consolação aqueles que sucumbem  Entre os cornos da raiva sob o peso da força  Não podemos aceitar. O teu sangue não seca  Não repousamos em paz na tua morte  A hora da tua morte continua próxima e veemente  E a terra onde abriram a tua sepultura  É semelhante à ferida que não fecha  O teu sangue não encontrou nem foz nem saída  De Norte a Sul de Leste a Oeste  Estamos vivendo afogados no teu sangue  A lisa cal de cada muro branco  Escreve que tu foste assassinado  Não podemos aceitar. O processo não cessa  Pois nem tu foste poupado à patada da besta ...

assim o amor - sophia de mello breyner busca ser racional com o sentimento

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                                                                           sophia de mello breyner andresen (1919-2004) uma resenha do poema de sophia de mello breyner: "assim o amor"       ASSIM O AMOR   Assim o amor   Espantado meu olhar com teus cabelos   Espantado meu olhar com teus cavalos   E grandes praias fluidas avenidas   Tardes que oscilam demoradas   E um confuso rumor de obscuras vidas   E o tempo sentado no limiar dos campos   Com seu fuso sua faca e seus novelos   Em vão busquei eterna luz precisa     [Sophia de M Breyner Andresen, Geografia, 1967 ]   . . . . . . . .  .  .  .   . eu lírico contempla o ser amado com assombro: os cabelos, a força quase selvagem (“cavalos”), paisagens abe...

electra - sophia m breyner - o grito é a insônia das coisas

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  [sophia de m bryener andresen 1919-2004  ]     ELECTRA  O rumor do estio atormenta a solidão de Electra  O sol espetou a sua lança nas planícies sem água  Ela solta os seus cabelos como um pranto  E o seu grito ecoa nos pátios sucessivos  Onde em colunas verticais o calor treme  O seu grito atravessa o canto das cigarras  E perturba no céu o silêncio de bronze  Das águias que devagar cruzam seu voo  O seu grito persegue a matilha das fúrias  Que em vão tentam adormecer no fundo dos sepulcros  Ou nos cantos esquecidos do palácio  Porque o grito de Electra é a insônia das coisas    A lamentação arrancada ao interior dos sonhos dos remorsos e dos crimes  E a invocação exposta    Na claridade frontal do exterior  No duro sol dos pátios  Para que a justiça dos deuses seja convocada   [Sophia de M Breyner Andresen, Geografia, 1967 ]    . . . . . . .  ...

ali, então - sophia de mello breyner - comentário

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                                              [ sophia  1919 - 2004 ]        ALI, ENTÃO  Ali, então em pleno mundo antigo  À sombra do cipreste e da videira  Olhando o longo tremular do mar  Num silêncio de luas e de trigo  (Como se a morte a dor o tempo e a sorte   Não nos tivessem nunca acontecido)  Em nossas mãos a pausa há-de poisar  Como o luar que poisa nas videiras  E em frente ao longo tremular do mar  Num perfume de vinho e de roseiras  A sombra da videira há-de poisar  Em nossas mãos e havemos de habitar  O silêncio das luas e do trigo  No instante ameaçado e prometido  E os poemas serão o próprio ar  — Canto do ser inteiro e reunido —  Tudo será tão próximo do mar  Como o primeiro dia conhecido      [ Sophia de Mello Breyner - Geografi...

um poeta clássico - sophia de mello breyner andresen - comentário

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  [ sophia 1919 - 2004 ]     UM POETA CLÁSSICO   Um poeta clássico   Fará da ausência uma parte do seu jogo:   Prumo esteio coluna   Combate esculpido nas métopas do templo   Una e múltipla   Cada encontro a recomeça:   Agudo gume quando a música ressoa   Venenosa rosa do junho mais antigo   Um poeta clássico   Fará da ausência uma parte do seu jogo   Nem integrada nem assumida   Apenas companheira   Segunda mão poisada sobre a mesa   Mão esquerda   Companheira serena   Das coisas serenas:   Parede livro fruto   E fogosa condutora dos desastres   Que nos esperam em seus pátios lisos         [ S ophia de Mello Breyner - G eogr a fi a 1967 ]    . . . . .  .  .  .              n ota _     métopa -   espaço existente entre dois tríglifos de um friso dórico (arquitetura)   ...

de um amor morto - sophia de mello breyner - o amor que a eternidade ignora

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  [ sophia breyner 1919 - 2004 ]       De um amor morto    De um amor morto fica   Um pesado tempo quotidiano   Onde os gestos se esbarram   Ao longo do ano   De um amor morto não fica   Nenhuma memória   O passado se rende   O presente o devora   E os navios do tempo   Agudos e lentos   O levam embora   Pois um amor morto não deixa   Em nós seu retrato   De infinita demora   É apenas um facto   Que a eternidade ignora        [ Sophia de Mello Breyner Andresen - Geografia 1967 ]   . . . . .  .  .  . o amor morto incomoda. soa como uma relação morta, mas não esquecida ("o passado se rende"). parece que o eu lírico gostaria que algo ainda lhe pertencesse. mas o tempo levou embora esse algo. resta o peso do vazio e o peso da incompletude. o amor morto passou a ser um fato, apenas. por vezes, nem isso, pois -- segundo o que se lê -- nem a me...

caminho - sophia de mello breyner - comentário

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             CAMINHO   Na marcha pelo deserto eu sabia   Que alguns morreriam   Mas pensava sob o céu redondo   — Onde   O limite do meu amor da minha força?   E eis que morro antes do próximo oásis   Com a garganta seca e o peso   Ilimitado do sol sobre os meus ombros   Eis que morro cega de brancura   Cansada demais para avistar miragens   Eu sabia   Que alguém   Antes do próximo oásis morreria      [ S ophia de Mello Breyner Andresen - Geografia 1967 ]    . . . . . .  .  .  .   . aqui, o eu lírico está enfraquecido pela caminhada, pelo viver. curzar um deserto é senso comum de sofrimentos. sempre há os que não conseguem e sempre há os que morrem. uma pergunta ecoa, no texto: onde o limite do meu amor...? -- depois, segue-se o sofrimento e a morte. o eu poético está seguindo pelo deserto com outras pessoas. isso pesa. a questão é: por qu...

aparição - sophia de mello bryener andresen - comentário

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                                             Aparição   Devagar devagar um homem morre   Escura no jardim a noite se abre   A noite com miríades de estrelas   Cintilantes límpidas sem mácula   Veloz veloz o sangue foge   Já não ouve cantar o moribundo   Sua interior exaltação antiga   Uma ferida no seu flanco o mata   Somente em sua frente vê paredes   Paredes onde o branco se retrata   Seus olhos devagar ficam de vidro   Uma ferida no seu flanco o mata     Já não tem esplendor nem tem beleza   Já não é semelhante ao sol e à lua   Seu corpo já não lembra uma coluna   É feito de suor o seu vestido   A sua face é dor e morte crua   E devagar devagar o rosto surge   O rosto onde outro rosto se retrata   O rosto desde sempre pressentido   Por aquele que ao viver o ...