caminho - sophia de mello breyner - comentário

 


          CAMINHO

  Na marcha pelo deserto eu sabia
  Que alguns morreriam

  Mas pensava sob o céu redondo
  — Onde
  O limite do meu amor da minha força?

  E eis que morro antes do próximo oásis
  Com a garganta seca e o peso
  Ilimitado do sol sobre os meus ombros

  Eis que morro cega de brancura
  Cansada demais para avistar miragens

  Eu sabia
  Que alguém
  Antes do próximo oásis morreria

    [ Sophia de Mello Breyner Andresen - Geografia 1967 ]

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aqui, o eu lírico está enfraquecido pela caminhada, pelo viver. curzar um deserto é senso comum de sofrimentos. sempre há os que não conseguem e sempre há os que morrem.

uma pergunta ecoa, no texto: onde o limite do meu amor...? -- depois, segue-se o sofrimento e a morte. o eu poético está seguindo pelo deserto com outras pessoas. isso pesa. a questão é: por que é dela o peso? por que é dela -- dessa pessoa que fala -- o risco? nem consegue ver as miragens. por que não contar com as forças dos demais? precisa ser sempre uma pessoa a liderar e virar mártir? tinha de dar errado mesmo.  o poema vai nessa linha de expor aqueles que querem consertar o mundo sozinhos. amor não é infinito, aqui. nem a força física. não dá pra ser quixote sem o sancho. não dá pra se curar sem conhecer qual o problema. o poema não glorifica, não romantiza esse falso heroísmo, mas expõe e condena. 

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     IMPORTANTE:

  o livro "geografia" - de onde saiu o poema "caminho" - possui sete (7) partes: 

  1. ingrina 

  2. procelária 

  3. a noite e a casa

  4. dual

  5. mediterrâneo

  6. brasil ou do outro lado do mar

 7. no poema

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  saber mais_

em 1944 publicou o primeiro livro, numa edição de 300 exemplares.(...) ao longo de 60 anos, a sua obra, agraciada com numerosos prémios, abrangeu a poesia, a ficção,o teatro, o ensaio, as traduções e a organização de antologias literárias.

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