a paixão segundo gh é questão de prova
criei essas questões pensando no vestibular usp _fuvest, que acontece neste 2026. mas não é só isso! se você conhece alguém que está se preparando para este vestibular ou avaliações escolares, também vale compartilhar.
coloquei gabarito ao final.
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a) como enxergar parte da personalidade de g.h. a partir deste trecho?
b) o romance de clarice, também pode ser classificado como pertencente ao gênero "monólogo". por quê?
2. trecho : "O leve prazer geral – que parece ter sido o tom em que vivo ou vivia – talvez viesse de que o mundo não era eu nem meu: eu podia usufruí-lo. Assim como também aos homens eu não os havia feito meus, e podia então admirá-los e sinceramente amá-los (...) Não sendo meus, eu nunca os torturava. Como se ama a uma ideia. A espirituosa elegância de minha casa vem de que tudo aqui está entre aspas. Por honestidade com uma verdadeira autoria, eu cito o mundo, eu o citava, já que ele não era nem eu nem meu. (...) De algum modo “como se não fosse eu” era mais amplo do que se fosse - uma vida inexistente me possuía toda e me ocupava como uma invenção. Somente na fotografia, ao revelar-se o negativo, revelava-se algo que, inalcançado por mim, era alcançado pelo instantâneo (...) Enquanto eu mesma era, mais do que limpa e correta, era uma réplica bonita. Pois tudo isso é o que provavelmente me torna generosa e bonita. Basta o olhar de um homem experimentado para que ele avalie que eis uma mulher de generosidade e graça, e que não dá trabalho, e que não rói um homem: mulher que sorri e ri. (...) Eu era a imagem do que eu não era, e essa imagem do não-ser me cumulava toda: um dos modos mais fortes é ser negativamente. " [ a paixão segundo gh _ clarice ]
a) o que pode significar o fato de que tudo em volta de gh está entre aspas?
3. trecho : "É que apesar de já ter entrado no quarto, eu parecia ter entrado em nada. Mesmo dentro dele, eu continuava de algum modo do lado de fora. Como se ele não tivesse bastante profundidade para me caber e deixasse pedaços meus no corredor, (...) eu não cabia. (...) eu me sentia sufocada de confinamento e restrição. (...) Embaraçada ali dentro por uma teia de vazios, eu esquecia de novo o roteiro de arrumação que traçara, (...) O quarto não tinha um ponto que se pudesse chamar de seu começo, nem um ponto que pudesse ser considerado o fim. Era de um igual que o tornava indelimitado. Passei os olhos pelo guarda-roupa (...) Animei-me com uma ideia: aquele guarda-roupa, depois de bem alimentado de água, de bem enfartado nas suas fibras, eu o enceraria para dar-lhe algum brilho, e também por dentro passaria cera (...) Abri um pouco a porta estreita do guarda-roupa, e o escuro de dentro escapou-se como um bafo. (...) Dentro da brecha da porta, pus o quanto cabia de meu rosto. E, como o escuro de dentro me espiasse, ficamos um instante nos espiando sem nos vermos. (...) Empurrando, porém, a cama para mais perto da janela, consegui abrir a porta uns centímetros a mais. Então (...) bem próximo de meus olhos, na meia escuridão, movera-se a barata grossa. Meu grito foi tão abafado que só pelo silêncio contrastante percebi que não havia gritado (...) É que eu não esperara que, numa casa minuciosamente desinfetada contra o meu nojo por baratas, eu não esperava que o quarto tivesse escapado. (...) Era uma barata que lentamente se movia em direção à fresta." [a paixão segundo gh _ clarice]
a) como sair da suposta contradição a respeito do quarto, quando gh afirma não caber ali e,em seguida, diz que era indelimitado?
b) o modo como gh trata o armário difere da maneira como ela, a narradora, se refere a janair, em outras partes do livro? por quê?
c) se a casa está desinfetada, por que a barata está ali?
a) por que o coração bate “como numa alegria” ?
b) de que maneira o final do trecho acima antecipa o que vai acontecer entre ambas (naradora e barata ) mais perto do desfecho do livro?
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a) gh aparece como uma mulher aparentemente realizada, segura e organizada, mas que percebe que sua identidade depende muito da imagem que os outros fazem dela; sente também que ainda precisa descobrir uma dimensão mais profunda de si mesma.
b) porque grande parte do romance é construída como uma fala contínua de gh, que narra, comenta e interpreta a própria experiência; a personagem conversa consigo mesma em boa parte da história e também com um interlocutor imaginário, o leitor, por isso, predomina a forma de monólogo interior, associada ao fluxo de consciência.
2.
a) aspas indicam que G.H. sente que o que está a sua volta não é verdadeiramente seu; a casa, objetos e até sua maneira de viver podem ser uma espécie de citação do mundo, uma reprodução de modelos sociais; ela é aquilo que os outros veem nela, mas sente que essa imagem não corresponde mais inteiramente ao que ela é.
3.
a) não há contradição verdadeira porque aquele espaço desperta algo que ultrapassa sua identidade habitual, por isso sente que parte de si ficou pra fora; o quarto parece pequeno para conter a crise interior que começa a viver; assim como parece indelimitado porque simplesmente não consegue encontrar nele um ponto de começo e fim.
b) resposta sim. gh trata o armário como um objeto que pode ser manipulado, limpo e até alimentado; já em relação a janair, tende a enxergá-la inicialmente a partir de sua posição social, como alguém que pertence ao espaço doméstico que gh considera seu, ou seja, figura dispensável, sem importância
c) porque a barata representa justamente aquilo que a organização e a limpeza da casa tentavam excluir: a realidade; ela -- a barata -- surge como aquilo que gh não consegue controlar: a vida natural, primitiva que permanece escondida por trás da aparência de ordem e limpeza.
4.
a) o coração bate "como numa alegria" porque gh experimenta uma sensação inesperada de poder e liberdade; ao sentir ódio e desejo de matar, ela entra em contato com um instinto que sua vida social e civilizada normalmente reprimia. a alegria é o prazer de descobrir uma dimensão desconhecida de si mesma
b) o trecho antecipa o confronto final com a barata: gh percebe que o inseto representa uma dimensão primitiva e natural da existência; ao desejar matar a barata e sentir-se "ao nível da natureza", ela começa a ultrapassar a separação entre o humano e o animal, e essa aproximação será levada ao extremo quando ela entra em contato físico com a barata e come sua massa
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