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Mostrando postagens de setembro, 2025

a rosa das dores

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  carlos ferber foi meu aluno, tempos atrás. não me esqueço. corria o ano de 2008 e ele  estava atento, ouvindo breve comentário que eu fazia, em sala de aula, sobre "rosa", depois de lermos "primeiro motivo da rosa", poemeto singelo da não menos singela cecília meireles. estávamos lendo também "rosa do povo" (drummond) e já havíamos comentado "o nome da rosa" (eco), noutra oportunidade, daí o tema botânico e filosófico se fazer presente.  conversa vai conversa vem, ferber interfere para contar que a tal flor se mantém mais tempo sem murchar se colocarmos, no vaso com água, um comprimido de aspirina. fiquei pensando quais seriam as dores de uma rosa para que pudesse usufruir de renomado quitute.  cartola tinha dito que as rosas não falam, mas, pelo jeito, podem ter enxaqueca, daí aqueles espinhos todos, não sei. mas fica a dica do século, caso suas rosas reclamem de dor.

quadro polêmico sobre vender amores

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                                        [ a vendedora de amores, j. vien, séc 18 ] vem do século 18 a tela de joseph vien, "a vendedora de amores ", em que uma moça, humilde, ajoelha-se numa rica sala, diante de figura nobre e sua acompanhante. a singela vendedora tira de uma cesta um míni-bebê, pela asa, sob o olhar embaçado da provável compradora. não é um anjinho, vou avisando. trata-se de representação do filho de vênus, o cupido. o nome "amor", no plural, indica tudo. amor, cupido. olhem, o mercantilismo iria se transformar no capitalismo, já sabem e era importante marcar posição através daquilo que o dinheiro pudesse comprar. os amores, na cesta, são novos, gordinhos, parecem inofensivos. talvez sejam. a questão é o motivo que leva à compra. as figuras femininas, na cena, irão usar a compra juntas? comprarão um amor para cada uma?... é para presente?... fiquem à vontade. em francês...

prometeu devia parar de sangrar

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                                                               [ prometeu - nicolas adam, séc 17 ]          vem do grego este termo "prometeu" e significa "premonição". na mitologia, ele teria o poder de prever futuros. então, nesta  narrativa grega, prometeu é condenado a ficar acorrentado, acho que isso já se sabe.  por que o castigo?  o tal prometeu, temendo que raça humana fosse dizimada, rouba parte do conhecimento do olimpo (matemática e arte) e entrega aos homens. isso garantiria uma suposta superioridade sobre os outros animais. alguma sobrevida. no limite, podemos dizer que esse é o mito da criação do ser humano, concordam? agora, o que esse povo vem fazendo hoje com o conhecimento recebido, nem prometeu seria capaz de prever. pois bem, prometeu é condenado a ficar numa pedra, na ...

em setembro de 2025: silvia e adler

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                                                                          os noivos e suas mães f ui ao casamento de silvia e adler, neste setembro. campo limpo paulista. as famílias são de jundiaí. bia kapros, mãe da noiva, era quem eu mais conhecia até então. adler e silvinha são companhia recente. e são lindos. a cerimônia foi em uma igreja iluminada pelo sol das 16h, toda envidraçada, estrutura de madeira e tudo com leveza e cores entre o esverdeado e o terracota. o detalhe do raminho de alecrim, nos guardanapos sobre os pratos, é um sopro de energia bem-vindo. teve música, teve leitura, teve protocolo, bênçãos, lágrimas, criança, idosos, riso, energias e casamento. até o carro com latas amarradas na traseira foi detalhe clássico.  eu gostei porque cerimônia e festa abraçavam os convidados. não f...

houston, temos um problema

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                                                                               lua um pouco desarrumada depois de 1969 houston, temos um problema! emoção e razão. isso. leio em "autopsicografia" que a emoção entretém a razão, quando ele, poeta, cria seus versos, sua obra. quase sempre é bom misturar um e outro, como compartilhar o desejo e os orgasmos possíveis. emoção não é a perda da razão, sabia? olhem, em julho constumam comemorar a chegada do homem à lua. foi em 1969. eu vi, pela televisão, acho que era ao vivo. " um pequeno passo para um homem, um grande passo para humanidade " , poetizava armstrong, um segundo antes de sujar a lua com seu pé de botina branca. em 2025 são 56 anos, desde então. 56. somando, dá onze. dizem que é número ligado à intuição. que coisa.  a  l...

casa

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                   setembro, 2025 . voltei a um processo terapêutico, voltei a remédio antidepressivo, voltei. até meados deste ano, 2025, tinha acreditado em avanços e, por algum instante, considerei também que se sentir bem, mentalmente, seria uma senha para abolir medicações que vinha consumindo há tempos... errei. bastou um evento cotidiano pra eu desmoronar em crise de ansiedade e afins. o evento em si é só gota que faltava. pote tava cheio de mágoa e farelos de antigas dores.  voltei. remédio, remédio. a terapia está indo bem. isso é acalanto. o trabalho em sala de aula segue, talvez por inércia, talvez por benevolência de quem me contratou. aposentadoria já veio, porque são 39 anos já, em 2025 nessa toada -- a conta começa em 1986, quando carimbam minha carteira de trabalho. daí que não parei, desde então. estudantes de classe média, aqui ao meu redor, não são mais estudantes, são plateia. assistem. têm pressa, reclamam de...