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a rosa das dores

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  carlos ferber foi meu aluno, tempos atrás. não me esqueço. corria o ano de 2008 e ele  estava atento, ouvindo breve comentário que eu fazia, em sala de aula, sobre "rosa", depois de lermos "primeiro motivo da rosa", poemeto singelo da não menos singela cecília meireles. estávamos lendo também "rosa do povo" (drummond) e já havíamos comentado "o nome da rosa" (eco), noutra oportunidade, daí o tema botânico e filosófico se fazer presente.  conversa vai conversa vem, ferber interfere para contar que a tal flor se mantém mais tempo sem murchar se colocarmos, no vaso com água, um comprimido de aspirina. fiquei pensando quais seriam as dores de uma rosa para que pudesse usufruir de renomado quitute.  cartola tinha dito que as rosas não falam, mas, pelo jeito, podem ter enxaqueca, daí aqueles espinhos todos, não sei. mas fica a dica do século, caso suas rosas reclamem de dor.

quadro polêmico sobre vender amores

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                                        [ a vendedora de amores, j. vien, séc 18 ] vem do século 18 a tela de joseph vien, "a vendedora de amores ", em que uma moça, humilde, ajoelha-se numa rica sala, diante de figura nobre e sua acompanhante. a singela vendedora tira de uma cesta um míni-bebê, pela asa, sob o olhar embaçado da provável compradora. não é um anjinho, vou avisando. trata-se de representação do filho de vênus, o cupido. o nome "amor", no plural, indica tudo. amor, cupido. olhem, o mercantilismo iria se transformar no capitalismo, já sabem e era importante marcar posição através daquilo que o dinheiro pudesse comprar. os amores, na cesta, são novos, gordinhos, parecem inofensivos. talvez sejam. a questão é o motivo que leva à compra. as figuras femininas, na cena, irão usar a compra juntas? comprarão um amor para cada uma?... é para presente?... fiquem à vontade. em francês...

prometeu devia parar de sangrar

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                                                               [ prometeu - nicolas adam, séc 17 ]          vem do grego este termo "prometeu" e significa "premonição". na mitologia, ele teria o poder de prever futuros. então, nesta  narrativa grega, prometeu é condenado a ficar acorrentado, acho que isso já se sabe.  por que o castigo?  o tal prometeu, temendo que raça humana fosse dizimada, rouba parte do conhecimento do olimpo (matemática e arte) e entrega aos homens. isso garantiria uma suposta superioridade sobre os outros animais. alguma sobrevida. no limite, podemos dizer que esse é o mito da criação do ser humano, concordam? agora, o que esse povo vem fazendo hoje com o conhecimento recebido, nem prometeu seria capaz de prever. pois bem, prometeu é condenado a ficar numa pedra, na ...

em setembro de 2025: silvia e adler

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                                                                          os noivos e suas mães f ui ao casamento de silvia e adler, neste setembro. campo limpo paulista. as famílias são de jundiaí. bia kapros, mãe da noiva, era quem eu mais conhecia até então. adler e silvinha são companhia recente. e são lindos. a cerimônia foi em uma igreja iluminada pelo sol das 16h, toda envidraçada, estrutura de madeira e tudo com leveza e cores entre o esverdeado e o terracota. o detalhe do raminho de alecrim, nos guardanapos sobre os pratos, é um sopro de energia bem-vindo. teve música, teve leitura, teve protocolo, bênçãos, lágrimas, criança, idosos, riso, energias e casamento. até o carro com latas amarradas na traseira foi detalhe clássico.  eu gostei porque cerimônia e festa abraçavam os convidados. não f...

houston, temos um problema

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                                                                               lua um pouco desarrumada depois de 1969 houston, temos um problema! emoção e razão. isso. leio em "autopsicografia" que a emoção entretém a razão, quando ele, poeta, cria seus versos, sua obra. quase sempre é bom misturar um e outro, como compartilhar o desejo e os orgasmos possíveis. emoção não é a perda da razão, sabia? olhem, em julho constumam comemorar a chegada do homem à lua. foi em 1969. eu vi, pela televisão, acho que era ao vivo. " um pequeno passo para um homem, um grande passo para humanidade " , poetizava armstrong, um segundo antes de sujar a lua com seu pé de botina branca. em 2025 são 56 anos, desde então. 56. somando, dá onze. dizem que é número ligado à intuição. que coisa.  a  l...

casa

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                   setembro, 2025 . voltei a um processo terapêutico, voltei a remédio antidepressivo, voltei. até meados deste ano, 2025, tinha acreditado em avanços e, por algum instante, considerei também que se sentir bem, mentalmente, seria uma senha para abolir medicações que vinha consumindo há tempos... errei. bastou um evento cotidiano pra eu desmoronar em crise de ansiedade e afins. o evento em si é só gota que faltava. pote tava cheio de mágoa e farelos de antigas dores.  voltei. remédio, remédio. a terapia está indo bem. isso é acalanto. o trabalho em sala de aula segue, talvez por inércia, talvez por benevolência de quem me contratou. aposentadoria já veio, porque são 39 anos já, em 2025 nessa toada -- a conta começa em 1986, quando carimbam minha carteira de trabalho. daí que não parei, desde então. estudantes de classe média, aqui ao meu redor, não são mais estudantes, são plateia. assistem. têm pressa, reclamam de...

o futuro era melhor antigamente - veríssimo

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capa 49a edição - 1982 [ na foto: fraga e juska ] hoje, 2025, vou pela casa dos 60 pra 61 anos. é muito, se pensar no que vive um ser humano, no braisl. bem pouco para obra literária, principalmente de luís fernando veríssimo. essa sim, vai durar mais do que eu.  vale uma lembrança: em 1982, eu estava no ensno médio e tive nas mãos "o analista de bagé", contos deste veríssimo. ainda o tenho, como vêem na foto acima. olhem, foi a primeira e última vez que dei muita gargalhada lendo livro. muita. os textos de rubem braga também divertem. juó bananere, oswald ou mesmo alguma prosa do drummond. até "o cão sem plumas" do allen me divertiu. mas não como "o analista de bagé". depois dele, nunca mais gargalhei com literatura.  na verdade, apesar da fama do brasileiro ser piadista, o caso da literatura é de uma seriedade ímpar. poucos se atrveram a entrar no universo da graça, da piada. vejam: martins pena; gil vicente; oswald de andrade, campos de carvalho e mais ...

a raposa de dentro

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                                            [ capa do disco " caça à raposa ", 1975 RCA ]  versos de "caça à raposa", joão bosco e aldir blanc:   O olhar dos cães, a mão nas rédeas   E o verde da floresta   Dentes brancos, cães   A trompa ao longe, o riso   Os cães, a mão na testa   O olhar procura, antecipa   A dor no coração vermelho     (...)   Uma cabeleira sobre o feno   Afoga o coração vermelho     (...)   . . . . .  .  .   .   .    . não é preciso muito cão para seguir trilha do desejo cão das lágrimas de saramago brilha cão nunca foi marca de amizade  os lobos sim rômulo remo e os lobos guará o coração vermelho chapéu vermelho na floresta fogo fog

palavra e pulso

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  " Um fóssil de um dinossauro que viveu há cerca de 230 milhões de anos e, provavelmente, tinha 2,5 metros de comprimento foi encontrado por pesquisadores ligados à Universidade Federal de Santa Maria (UFMS) em um sítio fossilífero localizado no município de São João do Polêsine, interior do Rio Grande do Sul. (...) "                              [tv cidade10 - julho 2024]    . . . . . .  .  .  .   .   . não tenho conta de quantas vezes fiquei olhando pela janela procurando dinossauros ou então aqueles ptero–qualquer-coisa que voam e gritam é imagem recorrente procurar, em cenários amplos, essas criaturas que de tão distantes ficam no imaginário e quase se transformam em mitos...  ter dinossauro de estimação é bom porque eles demoram pra morrer e, mesmo depois de extintos, continuam vivendo hoje gozando debaixo da terra  surgem adultos muitas vezes já ...

tudo que move é sagrado

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  beto guedes "tudo que move é sagrado" é o primeiro verso da canção "amor de índio", parceria com ronaldo bastos,  olha:         tudo que move é sagrado        e remove as montanhas       com todo cuidado, meu amor        enquanto a chama arder       todo dia te ver passar         tudo viver a teu lado       com o arco da promessa         do azul pintado pra durar           (...)       s im, todo amor é sagrado        e o fruto do trabalho       é mais que sagrado           meu amor       a massa que faz o pão       vale a luz do seu suor         lembra que o sono é sagrado       e alimenta de horizontes      o tempo acordado de viver     ...

a saudade é o revés de um parto

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                                                                          [ zizi possi & chico buarque ] chico buarque ele é o autor deste verso que está na canção "pedaço de mim" a canção é de 1978, para o show "ópera do malandro" veja:   Oh, pedaço de mim  Oh, metade afastada de mim  Leva o teu olhar  Que a saudade é o pior tormento  É pior do que o esquecimento  É pior do que se entrevar  Oh, pedaço de mim  Oh, metade exilada de mim  Leva os teus sinais  Que a saudade dói como um barco  Que aos poucos descreve um arco  E evita atracar no cais  Oh, pedaço de mim  Oh, metade arrancada de mim  Leva o vulto teu  Que a saudade é o revés de um parto  A saudade é arrumar o quarto  do filho que já morreu   ...

se esta rua fosse minha

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  no poema "evocação de recife", do pernambucano manuel bandeira, lemos que uma das preocupações do poeta é com a possível mudança no nome de uma rua, como a do "sol" para, possivelmente, "dr. fulano de tal". uma das ruas mais movimentadas da cidade de são paulo (e talvez a maior, em extensão), chama-se "alcântara machado", apenas conhecida pelo apelido : radial leste. alcântara, para quem não sabe, foi contemporâneo de bandeira, lá pelos anos 1920 e 1930, escreveu, dentre outros, "brás, bexiga e barra funda", crônicas divertidas que ele mesmo quis chamar de "notícias", cujo tema é a imigração italiana. dar nome a ruas, avenidas ou praças não é tarefa difícil. gente importante não falta. o estádio do são paulo futebol clube é o "cícero", mas todo mundo conhece por morumbi. ou, hoje, com nome de chocolatinho. o maracanã, no rio maravilha, tem nome : mário filho (irmão de nélson rodrigues), por acaso, escritor também, ...

bunda - carlos drummond de andrade

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  [ vênus calipígia, séc II a.c ]            A  BUNDA    A bunda, que engraçada.    Está sempre sorrindo, nunca é trágica.    Não lhe importa o que vai    pela frente do corpo. A bunda basta-se.    Existe algo mais? Talvez os seios.   Ora — murmura a bunda — esses garotos   ainda lhes falta muito que estudar.   A bunda são duas luas gêmeas   em rotundo meneio. Anda por si   na cadência mimosa, no milagre   de ser duas em uma, plenamente.   A bunda se diverte   por conta própria. E ama.   Na cama agita-se.   Montanhas  avolumam-se, descem.  Ondas batendo   numa praia infinita.   Lá vai sorrindo a bunda.    Vai feliz   na carícia de ser e balançar.   Esferas harmoniosas sobre o caos.   A bunda é a bunda,   redunda.       [ c. drummond de andrade, " amor natural ", 1992 ]   . ...

turma do "eu-quero-agora" usa i.a. para fazer terapia

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  não tem como dar certo. hoje, 2025, são milhares de seres humanos que usam inteligência artificial para conversas aleatórias e distração. essas milhares de pessoas chamam isso de terapia. não é. muita gente para na frente da tela e digita partes de sua vida e busca interação com o que chamam "inteligência". só que não. os modelos de linguagem digital são alimentados por gente que cria e reforça dilemas psíquicos. ou seja, as inteligências artificiais usadas para cuidados com saúde mental   são um erro profundo. é tratar doença com o aquilo que causa a doença.  pedro paulo bicalho, do conselho federal de psicologia já alertou para a questão. é grave.  essa história de suposta trapia com inteligência artificial é o que se chama de brian rot, hoje em dia. ou seja, a podridão mental causada pelo consumo excessivo de conteúdos digitais. a situação é bizarra, pois parte do conjunto de coisas que detonam saúde mental de pessoas é usada como terapia! não dá! o poste mijou ...