nua - lia d'assis - comentário

 


     NUA

 Desejo ser um eu que desconheço
 que saísse desse ventre de desespero
 
 e nua caminhasse por incertos trajetos
 sem culpas nem desculpas nem despedidas

 e nua entoasse a canção da liberdae
 sempre tecida na opressão do cárcere

 e nua abraçasse todos os receios
 falhas rusgas erros próprios e alheios

 e nua dançasse onde a via termina

        [ Lia d'Assis, Falso infinito, ed Patuá ]

 . . . . . . .  .  .  .   .

repara na lista : culpa, desespero, opressão, cárcere, falhas, um turbilhão de tensões  e dores que contrastam com a necessidade de nudez. não aquela da fuga das roupagens -- máscaras --  que a realidade nos impõe, mas a nudez que enfrenta com lirismo essa caçamba de bagulhos ruins. um lirismo sem promessa. é muito lindo. ia escrever "linda", tive receio. agora já era.
olhem, a expressão "canção de liberdade" não é nova, aqui pela américa do sul. pedro tierra, fernando brant, violeta parra -- só para ficar em três -- já anunciaram essa necessidade da liberdade pela arte. contudo, aqui não é clichê, porque é a nudez que canta. ela sai pela via do lirismo para abraçar o receio, enfrentar desafios. é a nudez que canta. amei essa frase. lindo demais isso. 

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 mais de lia (pseudônimo de juliana topan)  -- vídeo_


Comentários

  1. Muito obrigada pelo texto! Que a poesia seja sempre essa via de fuga das opressões, nosso pedaço de infinito.

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  2. obrigado nós! eu, a literatura e o infinito! :) -- na real, a poesia até ajuda a enfrentar essas opressões...acho

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