desenredo - paulo cesar pinheiro e dori caymmi


        não é só isso  
    _ajudando quem tem dificuldade com leitura_


                D E S E N R E D O          Caymmi & P Cesar Pinheiro

  Por toda terra que passo me espanta tudo que vejo
  A morte tece seu fio de vida feita ao avesso
  O olhar que prende anda solto
  O olhar que solta anda preso
  Mas quando eu chego eu me enredo
  Nas tramas do teu desejo
  O mundo todo marcado à ferro, fogo e desprezo
  A vida é o fio do tempo, a morte o fim do novelo
  O olhar que assusta anda morto
  O olhar que avisa anda aceso
  Mas quando eu chego eu me perco
  Nas tranças do teu segredo
  Ê Minas, ê Minas, é hora de partir, eu vou
  Vou-me embora pra bem longe
  A cera da vela queimando, o homem fazendo seu preço
  A morte que a vida anda armando, a vida que a morte anda tendo
  O olhar mais fraco anda afoito
  O olhar mais forte, indefeso
  Mas quando eu chego eu me enrosco
  Nas cordas do seu cabelo
  Ê Minas, ê Minas, é hora de partir, eu vou
  Vou-me embora pra bem longe...

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história:
dori caymmi, se recuperando de cirurgia no tornozelo, dedilhava memórias em seu violão, lá em 1976. é ele na capa do disco acima. na época, estava com 33 anos e precisava passar o tempo. mostrou a canção para
paulo cesar pinheiro que botou letra e isso se transformou numa obra prima de poesia. alguma mineirice, imagens que se contradizem causando estranhamento e alguma vontade de cantar junto.

o que você enxergou nos seis (6) primeiros versos?
pessoa com medo de morrer, certo? errado! -- volta, leia de novo

na lata_
o texto diz que é hora de partir, mas o cabelo, os segredos e os enredos do desejo puxam o poeta pro aconchego humano. mas não é só isso. o recado aqui é que ninguém é maior que o desejo. os cabelos podem ser sim uma referência a todo o ambiente de minas gerais e não apenas uma relação afetiva com outra pessoa. 

ninguém se desenreda de alguém facilmente: a canção é uma espécie de efeito colateral do estilo clube-da-esquina, dos mágicos milton, brant, borges, horta e afins. 

dori e paulo cesar pinheiro são cariocas, mas os versos para minas gerais dão conta dessa referência ao tal clube de aesquina, como à mãe de dori, stella maris, que é mineira. o próprio dori caymmi morou em cataguases, na adolescência, estudou no colégio que niemeyer projetou e, de lá, carregava lembranças boas.

"desenredo" ficou em segundo lugar num concurso de músicas que mais representavam minas gerais, em todos os tempos. o primeiro lugar foi pra "peixe vivo", do folclore da terra.

- se puder, deixa nos comentários o que está achando desta série "não é só isso" que propõe ajudar a interpretar texto

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        outra resenha de paulo cesar pinheiro
        canto das três raças - p c pinheiro - clica

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