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rio - gilka machado - quando a natureza ganha corpo

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                                              gilka machado 1893 - 1980       Rio   Da pétrea catedral de esplêndida cascata,  como de monjas longa e estranha procissão,  de águas alvo cortejo, em curvas, se desata,  entoando religioso e frio cantochão.  E, às vezes, esbordoando as rochas, pela mata,  ronca o rio raivoso em plena solidão,  e toda a frágil flor ripícola arrebata,  sepultando o que nele achara berço, então.  Há no rio a tristeza, a cólera e o prazer,  em seu constante curso ele os manifesta  todas as vibrações vitais do humano ser.  E julgo-o, quando o vejo espreguiçado à sesta,  um sátiro, com o corpo encurvado, a lamber  o ventre virginal e verde da floresta.                Gilka Machado - C ristais partido s, 1915    ...