Descreve com galharda propriedade o labirinto confuso de suas desconfianças - gregório de matos




  Descreve com galharda propriedade o labirinto 
     confuso de suas desconfianças
                                                [ Gregório de Matos ]


Ó caos confuso, labirinto horrendo,
Onde não topo luz, nem fio achando,
Lugar de glória, aonde estou penando,
Casa da morte, aonde estou vivendo!

Ó voz sem distinção, Babel tremendo,
Pesada fantasia, sono brando,
Onde o mesmo, que toco, estou sonhando,
Onde o próprio, que escuto, não entendo!

Sempre és certeza, nunca desengano,
E a ambas propensões, com igualdade
No bem te não penetro, nem no dano.

És ciúme martírio da vontade,
Verdadeiro tormento para engano,
E cega presunção para verdade.

. . . . . . . . . . . . . . . . . .  .  .  .  .  .  .  .   .   .   .    .

  • poema de caráter subjetivo, lírico e reflexivo
  • pessimista
  • desorientação interior, deve ser ciúme!
  • ciúme claustrofóbico! coisa braba

. . . . . . . . . . . . . . . .  .  .  .  .  .  .  .  .  .   .   .

  notas -

     Babel –
      bíblico: torre inacabada por castigo divino, daí seus idiomas se diferenciaram; confusão

     Paradoxos -

             1. sofrimento no lugar de glória  - verso 3
             2. morte e vida (vivendo) – verso 4

     Antíteses  
           certeza / desengano
       penando  / vivendo
      engano  / verdade

    Pleonasmo  -
                     caos confuso

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