não é só isso - a negritude e o racismo estrutural

 
       não é só isso 
    _intepretando texto_

                                 

   QUEM TEM UM AMIGO TEM TUDO

 Quem tem um amigo tem tudo
 Se o poço devorar, ele busca no fundo
 É tão dez que junto todo stress é miúdo
 É um ponto pra escorar quando foi absurdo

 Quem tem um amigo tem tudo
 Se a bala come, mano, ele se põe de escudo
 Pronto pro que vier memo a qualquer segundo
 É um ombro pra chorar depois do fim do mundo

 Ser mano igual Gil e Caetano
 Nesse mundo louco é pra poucos, tanto sufoco insano encontrei
 Voltar pra esse plano e vamos estar voltando
 É tipo rococó, barroco, em que Aleijadinho era rei
 É presente dos deuses, rimos quantas vezes?
 Como em catequeses, logo perguntei
 Pra Oxalá e pra Nossa Senhora
 Em que altura você mora agora, um dia lhe visitarei

  (...)
          _ Emicida - AmarElo, é tudo pra ontem _

[a canção é homenagem ao músico wilson das neves  1936-2017 ]

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o que este trecho da canção comunica? e a citação de aleijadinho, junto com gilberto gil, o que te parece? 

tente responder isso, por escrito, depois volte aqui, veja se o que escrevi combina com o que pensou 

o eu lírico afirma que quem tem um amigo verdadeiro não está desamparado. ele o acompanha nos momentos difíceis, protege diante do perigo e oferece apoio emocional quando tudo parece acabado. mas não é só isso. amizade, aqui, mistura afeto e resistência!
a música fala de companheirismo (gil e caetano, por exemplo) e trata de uma realação com valor ético, isso é respeito.
veja que o que chama atenção é a ligação de gil e caetano num mundo louco, ou seja, o que esses dois fazem se destaca. e o que eles fazem? música! música que resiste àqueles tempos de chumbo, da ditadura militar e misérias.

a ideia é sempre estender a mão, procurar encontrar, visitar que merece essa ligação de amizade

  na lata_
o texto do rapper emicida mostra que a letra de rap
constrói  argumento —mas não é só isso.
a questão da negritude é marcante, ao final do trecho, quando da presença de antonio francisco lisboa, o aleijadinho: homem negro, século 18, artista e respeitado, dentro de um universo de escravização e violência contra pretos. as obras de aleijadinho e gil, por exemplo, estão acima desse apagamento histórico que negros sofrem no país. "vamos estar voltando" é uma busca de emparelhar com ancestralidade, valorizar dignidade do ser humano. principalmente da figura negra. é isso.
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"não é só isso" é uma série postagens para facilitar a vida de quem tem dificuldade com intrepretação textual -- dedicada a leituras comentadas de textos de cotidiano e outros mais literários também

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mais um pouco sobre o rapper emicida - veja abaixo



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