vontade de chorar - paulo cesar pinheiro
VONTADE DE CHORAR
Paulo C Pinheiro e Ivor Lancelotti
Tudo que restou do nosso amor
São folhas que o vento soprou
E se perderam pelo ar
E as recordações me enchem de dor
Pois todo o fim de um grande amor
Me dá vontade de chorar
Todo verso triste que eu puser numa canção
É o meu coração que chora
E eu fiquei assim quando você
Sem dizer adeus foi indo embora
Pela minha voz e meu olhar todos verão
Como eu vivo triste agora
E eu não posso mais com a minha dor
Porque qualquer canção de amor,
me dá vontade de chorar
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canção que retrata a angústia da perda de um amor. tema caro à literatura brasileira como um todo, desde gregório de mattos. na músíca popular, do século 20, houve mais presença dessa história do sofrer por amor. repara na metalinguagem do verso 7 : "todo verso triste..." -- é uma referência ao próprio fazer poético. nessa mensagem toda, até o verso 9, o termo "verso", sozinho, vira metáfora do coração machucado.
releia os versos 11 e 12: a carência afetiva é exposta no momento em que o eu lírico admite que irá expor pra todo mundo o sofrimento, gerando uma necessidade de acolhimento, criando sentimento de injustiça perante o abandono.
olhem, quem ama e mergulha nessa subjetividade raramente consegue recorrer à razão para perguntar a si mesmo qual foi sua parcela de responsabilidade no ato da pessoa que vai embora, ou seja, qual é a parte que cabe ao poeta (eu lírico) na ação da pessoa então amada.
agora, vale a provocação: tudo o que nos incomoda deveria mesmo ter alguma parcela de nossa responsabilidade?
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