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velho arvoredo - paulo cesar pinheiro - entre a resistência e o abandono

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                   VELHO ARVOREDO                Paulo Cesar Pinheiro   Eu te esqueci muito cedo   Pelo tempo que passou   Tal como um velho arvoredo   Que o vento não derrubou   Tronco mudado em rochedo   Pedra transformada em flor   E eu fui ficando sozinho no pó do caminho   Me desenganando, sofrendo e chorando   E mantendo em segredo   Essa minha ilusão   Que me escapou de entre os dedos   Pra não sei que outras mãos   E eu me tornei o arremedo   De tudo aquilo que eu não sou   Mas eu jamais retrocedo   O que passou passou   Já superei, mas só eu sei   O mesmo jamais eu serei   Feito a madeira o machado inclinando   Eu por fora estou cicatrizando   E por dentro sangrando, afastado do medo   Mas sozinho, tal como o velho arvoredo   Que não serve ao tempo nem ao lenhador   E ...

canto das três raças - paulo cesar pinheiro - resenha

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                                         CANTO DAS TRÊS RAÇAS    Ninguém ouviu um soluçar de dor    No canto do Brasil.    Um lamento triste sempre ecoou    Desde que o índio guerreiro    Foi pro cativeiro e de lá cantou.    Negro entoou um canto de revolta pelos ares    No Quilombo dos Palmares, onde se refugiou.    Fora a luta dos inconfidentes    Pela quebra das correntes.    Nada adiantou.    E de guerra em paz, de paz em guerra,    Todo o povo dessa terra    Quando pode cantar,    Canta de dor.    E ecoa noite e dia: é ensurdecedor.    Ai, mas que agonia    O canto do trabalhador...    Esse canto que devia ser um canto de alegria    Soa apenas como um soluçar de dor       [ CLA...

balancete - josé paulo paes - comentário

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  [ J P Paes - 1926 - 98 ]         BALANCETE                                            J o sé P au lo P a es      A esperança: flor    seca mas (acaso    ou precaução?) guardada    entre as páginas de um livro.    A incerteza: frio    de faca cortando    em porções cada vez menores    a laranja dos dias.    O amor: latejo    de artéria entupida    por onde o sangue se obstina    em fluir.    A morte: esquina    ainda por virar    quando já estava quase esquecido    o gosto de virá-las.           [in " prosas seguidas de odes mínimas ", cia das letras] b alancet e :   doc umen to que m ost ra movi menta ções fi nanceiras e m u m certo per íod o, nu m a e...

sal

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em " vidas secas ", a família de retirantes, sertão nordestino, come mucunã e raiz de umbu. quando a situação melhora um tantinho, vale uma dose de cachaça no bodega do inácio. melhor do que o menu de " paixão segundo g.h. " — que me recuso a descrever aqui. quinhentos anos atrás, no " auto da barca do inferno ", um dos personagens berra que morreu de caganeira. fico imaginando o que ele teria comido… pensar em comida e não lembrar o banquete frustrado com peixe em " a cidade e as serras " é crime.  no conto " amor ", de clarice, ana está num bonde e, depois da partida do veículo, ela se desequilibra um pouco e deixa cair ovos no piso do bonde. fico imaginando o que ela iria fazer...se simplesmente omelete ou outra iguaria mais sofisticada. diferenciada é iracema , dentro do livro de mesmo nome, que faz o tal licor verde colocando os guerreiros indígenas em contato com tupã. não é assim uma sensação nova, uma motivação, é tupã...