tocaia - lia d'assis - para enfrentar tabus
Às vezes solidão me espreita
e sinto a morte amoitada
paciente senhora que aguarda
sussuros de suicida
Há dias em que admiro
a bravura dos que partem
sem adeuses ou cartas
sem unção nem perdão
Há dias em que avida
é um presente pesado
[ Lia d'Assis, Falso infinito, ed Patuá ]
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o título põe em alerta : quem está de tocaia? a senhora dona morte ou a voz poética (eu lírico) que sente a morte espreitando?
uma homanagem aos suicidas pela coragem de cuidar da própria vida. e da própria morte.
olhem, é fundamental esse aceno ao indivíduo, num universo em que tomar conta da vida -- e da morte -- das gentes chega a ser um tabu.
neste século 21, o tal discurso neoliberal individualiza os seres e os arremessa na bolha do consumo. sobra quase nada pra cuidar, dentro do corpo e da mente que possa ser chamado de nosso.
o texto trata de enfrentar tabus. importantíssimo!
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lia é pseudônimo de juliana topan, nascida no vale do paraíba, s paulo.
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