ruínas circulares - jorge luis borges - resenha


         não é só isso
      [ ajudando na interpretação de texto ]
    
     _provocação que vale ouro_


                                                       escher - 1948

conto publicado no livro "ficções", 1944, em buenos aires, argentina
em 1941 o conto sai na coleção "o jardim dos caminhos que se bifurcam" 


    as ruínas circulares
          _síntese_

um mago chega numa região de beira de rio, vindo do sul, à noite. ele precisa dormir. quando dorme ele é um criador. em sono, alimenta sua fantasia criativa. está cansado, chega até o recinto das ruínas circulares. o local havia sido consumido pelo fogo. o mago precisava dormir e sonhar um homem. era seu destino. a necessidade era tamanha que ocupava toda sua alma, de modo que nem sua origem ou nome ele mesmo conhecia. lavradores, em volta do lugar, sustentavam sua vida com fruta e arroz.
nos sonhos, havia alunos para este mago. estudavam anatomia e cosmografia. os alunos não supriam a expectativas do mago mestre. então, ele os dispensa, ficando apenas com um. mas antes de seguir com seu projeto de criar alguém, veio a tragédia: ele despertara desse sono e não conseguia mais dormir. passou dias assim, lúcido. desesperado. 
numa noite enluarada, o mago purifica-se nas águas do rio, adora os deuses planetários e, finalmente, dorme.
então, sonha um coração pulsante. depois de quatorze noites, já havia artéria pulmonar. em menos de um ano, chegou ao esqueleto e às pálpebras. noite após noite, sonhava a sua criação: um homem adormecido. criatura pronta, não falava, nem andava. o mago, esgotado, numa certa noite quase destruiu sua obra. diz o texto, num parêntesis, que teria sido melhor destruí-lo...
pede ajuda ao deus, nas ruínas onde se encontra. o nome desseser superior era "fogo". ele ajuda o mago e pede que a figura criada seja enviada a outra região. "no sonho do homem que sonhava, o sonhado despertou".

o mago aceitou a ideia. gastou dois anos ainda para terminar a obra por completo. o homem que sonhava chama sua obra de "filho". nesse tempo, preparou-o com tarefas que envolviam esforço físico. passado tempo, era hora de fazê-lo nascer. em carne e osso, então, é enviado a outo templo. o homem tem  cuidado de apagar a memória dos tempos de aprendiz desse filho. só seu criador e o deus fogo sabem que o sonhado desperto é um fantasma, não é real.
tempos se passam e dois homens daquela aldeia revelam a ele, mago, que há uma pessoa que pode atravessar o fogo sem sofrer queimaduras. o homem sabe, portanto, que se trata de seu filho e tem medo de ele descubra ser um simulacro, o homem temeu pela decepção de que sofreria...  temeu, então, pelo futuro do filho.
suas preocupações tiveram final brusco. um incêndio -- como ocorrido tempos atrás -- toma as ruínas novamente. pensou em refuguiar-se nas águas, mas acreditou que poderia ser a hora de morrer, após anos e anos vividos. entrega-se às chamas. contudo, as labaredas não o consomem. ele era também um simulacro. ele era a projeção de um outro homem. 

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conto - - narrativa com um conflito; uma célula dramática
conflito (clímax) - - a descoberta, pelo mago, de que ele era um simulacro
foco - - terceira pessoa

a epígrafe do texto é de charles dodgson:
                 "
and if he left off dreaming about you..."
 [ "alice através do espelho" -- lewis carroll, pseudônimo de dodgson ]

teóricos da literatura afirmam que este estilo de borges seria o "realismo mágico". ou "realismo fantástico", o que, por si só, demanda tremendo paradoxo. não gosto dessa nomenclatura. prefiro surrealismo mesmo. fantasia. mas vão dizer que eu não estudei tanto como os demais teóricos, então, fica assim: borges é realismo mágico (seguem meus risos de boca fechada).
simulacro, fantasia, força dos mitos, nada novo, como se vê. mas a ficção de borges aguça nossa curiosidade por olhar através do espelho. é surreal. mas não é só isso.

há debates possíveis a fazer e, com isso, destrinchar melhor o texto e seus significados. vamos lá. responda a estas perguntas.

1. mitologia: para que servem as religiões? 
2. ser sonhador é ser utópico? 
3. o que é realidade?
4.  quem sou eu? sou a projeção de outros em mim, desde a infância?
5. gênesis bíblico e frankenstein se unem ao debate
6. alice no país das maravilhas, obviamente, entra na história, uma vez que seu autor é citado, logo antes do início do conto.

 
respostas ? 
olhem, a ideia, aqui -- diferente das outras postagens da série "não é só isso" -- é gerar debate e prdução de texto, mesmo que curto, através destas seis (6) perguntas. portanto, o desafio é: deixa nos comentários, sua ideia a respeito de pelo menos duas das questões acima. outros leitores(as) podem, assim, ter oportunidade de aprender mais.

 . . . . . . .  .  .  .  .   .   .

 tudo isso virou vídeo -- veja:


Comentários

  1. Estou lendo o livro Ficções. Livro extremamente complexo.

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  2. Pois é, Rodrigo! Mas é obra prima, a meu ver. Tentei fazer uma sinopse... veja se ajudei! Obrigado por ter vindo!

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