canto das três raças - paulo cesar pinheiro - resenha
CANTO DAS TRÊS RAÇAS
Ninguém ouviu um soluçar de dor
No canto do Brasil.
Um lamento triste sempre ecoou
Desde que o índio guerreiro
Foi pro cativeiro e de lá cantou.
Negro entoou um canto de revolta pelos ares
No Quilombo dos Palmares, onde se refugiou.
Fora a luta dos inconfidentes
Pela quebra das correntes.
Nada adiantou.
E de guerra em paz, de paz em guerra,
Todo o povo dessa terra
Quando pode cantar,
Canta de dor.
E ecoa noite e dia: é ensurdecedor.
Ai, mas que agonia
O canto do trabalhador...
Esse canto que devia ser um canto de alegria
Soa apenas como um soluçar de dor
[ CLARA: Canto das três raças, 1976, Odeon ]
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música de paulo cesar pinheiro. aqui vai uma resenha simples.
indígena, negro e branco: as etnias que aparecem, respectivamente, no início, meio e final do texto. a canção traz crítica social. na primeira linha, a dor dos indígenas, desde a chegada dos europeus, nos anos 1500. depois, a formação do quilombo, a memória de zumbi. pelo século 18, houve a luta dos chamados inconfidentes (tiradentes, padre toledo, gonzaga etc) mas, segudo a canção, nada conseguiram quanto a liberdade. até o século 20, quando a canção é feita, os trabalhadores sofriam também. a canção é triste, metalinguística, porque remete, ao final, a si mesma, como um soluço de dor.
as três raças, segundo a canção, sofreram e sofrem ainda. vale lembrar, quando sai o álbum "clara", o ano é de 1976, ainda a ditadura militar: período terrível e sangrento que o país viveu entre 1964 e 85.

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