o ateneu: romance que ainda combina com século 21

 

converso com meus alunos, esta semana, sobre o livro de raul pompeia e, infelizmente, não me assusto mais com os depoimentos a respeito da vivência deles na escola. tenho ouvido basicamente a mesma coisa desde que comecei a trabalhar, em 1986. a turma a que me refiro é a de alunos que já terminaram o ensino médio, estão no modo pré-vestibular. 
o que a maioria confessa: reclama deste ou daquele autoritarismo; relembram com mágoa de situações ligadas à avaliação; não gostam de participar da aula -- sentem-se acuados ou intimidados --, é muito triste. não os culpo. eles são resultado de quinhentos anos de ensino com viés jesuítico, ou seja: sala em silêncio sempre; aula no modo palestra; professor exerce autoridade sem empatia e quase não interage com alunos; se há problema no aprendizado vai ser resolvido com aula particular, remédio ou abandono da escola; método de avaliação sempre desatualizado; censura a temas como sexualidade, política local ou religiosidade. é de chorar. nem digo "censura", mas professorado que não trata do tema, porque se sente acuado. 
olhem, ninguém me tira da cabeça que a falta de educação plena, nas escolas, sobre sexualidade, tem permitido tantas e tantas violências contra mulher... culpa do consrvadorismo de quem se diz cristão. culpa de diretores e diretoras escolares que se recusam a botar esse tema na mão de professores com medo da casa grande não gostar. 

romance "o ateneu" saiu em 1888.
tema : crítica ao sistema educacional de internatos.
quem narra: sérgio, adulto, relembrando dois anos de sua infância dentro do colégio "ateneu", sob a autoridade despótica de aristarco, o diretor.


estilo
apresenta marcas realistas, como a linguagem culta e análise psicológoica de personagem. é evidente o caráter simbolista, pela subjetividade nas descrições e traz com influências do naturalismo, como destaque ao coletivo, assim como o determinismo e a sexualidade exposta como algo chocante (homossexualidade)

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POR UMA ESCOLA ACOLHEDORA


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