assim o amor - sophia de mello breyner busca ser racional com o sentimento
uma resenha do poema de sophia de mello breyner: "assim o amor"
ASSIM O AMOR
Assim o amor Espantado meu olhar com teus cabelos Espantado meu olhar com teus cavalos E grandes praias fluidas avenidas Tardes que oscilam demoradas E um confuso rumor de obscuras vidas E o tempo sentado no limiar dos campos Com seu fuso sua faca e seus novelos Em vão busquei eterna luz precisa
[Sophia de M Breyner Andresen, Geografia, 1967 ]
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eu lírico contempla o ser amado com assombro: os cabelos, a força quase selvagem (“cavalos”), paisagens abertas, as tardes lentas, o rumor confuso da vida. O tempo aparece como figura antiga, paciente e ameaçadora, fiando e cortando destinos. diante disso tudo, a busca por uma luz eterna e exata — uma verdade absoluta do amor — fracassa.
o rumor das vidas é o barulho das gentes, dos amores e dores dessa humanidade. esse barulho atravessa o poema.
o amor aqui não é tranquilo, é espanto, porque parece que ele -- o amor -- abre mundos demais, amplos demais e torna tudo muito difícil de se organizar e entender. o mundo é grande, daí o dilema, a angústia.
por isso, ao final, a voz (eu lírico) busca uma luz precisa, ou seja, um entendimento desse amor, uma explicação, uma clareza. não consegue.
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faísca: por que procurar precisão no amor?
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estilo geral do livro : versos brancos prevalecem, linguagem concisa, clareza, influência clássica (presença da mitologia), caráter raciona, moderno
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