mulher andando nua pela casa - drummond

 


    MULHER ANDANDO NUA PELA CASA 

  Mulher andando nua pela casa 
  envolve a gente de tamanha paz

  Não é nudez datada, provocante
  É um andar vestida de nudez, inocência de irmã e copo d’água. 
  O corpo nem sequer é percebido pelo ritmo que o leva
  Transitam curvas em estado de pureza, dando este nome à vida:
  castidade

  Pelos que fascinavam não perturbam
  Seios, nádegas (tácito armistício) 
  repousam de guerra

  Também eu repouso

        [ carlos drummond  - o amor natural, ed record ]
  . . . . .  .   .   .    .

"andar vestida de nudez": este é o verso que interessa. o resto não é novidade.

a nudez vira um conceito. ela é algo de que se veste e isso provoca olhares do outro. o estado de pureza, destacado nos versos, dá ideia de que a figura feminina é intocável, talvez nem deste mundo... isso é abuso de clichê, algo desnecessário,no século 20, mas coisa de drummond, enfim. 
interessante o termo "guerra" ligado a seios, nádegas, é mesmo visão masculina do corpo feminino, pois sugere que haja sempre luta para alcançar este ou aquele trecho de seu corpo. ruim de dar dó.

há um tanto de idealização aqui, fato que torna o poeta (eu lírico) um tanto passivo, inerte. vide o último verso.


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