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o africano e o poeta - narcisa amália e a justiça social

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       O AFRICANO E O POETA   _ Nebulosas_                                               Narcisa Amália   No canto tristonho   Do pobre cativo   Que elevo furtivo,   Da lua ao clarão;   Na lágrima ardente   Que escalda-me o rosto,   De imenso desgosto   Silente expressão;   Quem pensa? — o poeta   Que os carmes sentidos   Concerta aos gemidos   De seu coração.   — Deixei bem criança   Meu pátrio valado,   Meu ninho embalado   da Líbia no ardor:   Mas esta saudade   Que em meu túmido ardor   Lacera-me o seio   Sulcado de dor,   Quem sente? — o poeta   Que o elísio descerra;   Que vive na terra   De místico amor!     (...)   Quem vê? — o poeta   Que expira em harpejos   Aos lúgubres beijos   Da fom...

resignação - narcisa amália - comentário

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      RESIGNAÇÃO  - Narcisa Amália   No silêncio das noites perfumosas, Quando a vaga chorando beija a praia, Aos trêmulos rutilos das estrelas, Inclino a triste fronte que desmaia. E vejo o perpassar das sombras castas Dos delírios da leda mocidade; Comprimo o coração despedaçado Pela garra cruenta da saudade. Como é doce a lembrança desse tempo Em que o chão da existência era de flores, Quando entoava o múrmur das esferas A copla tentadora dos amores! Eu voava feliz nos ínvios serros Empós das borboletas matizadas... Era tão pura a abóbada do elísio Pendida sobre as veigas rociadas!... Hoje escalda-me os lábios riso insano, É febre o brilho ardente de meus olhos: Minha voz só retumba em ai plangente, Só juncam minha senda agros abrolhos. Mas que importa esta dor que me acabrunha, Que separa-me dos cânticos ruidosos, Se nas asas gentis da poesia Eleva-me a outros mundos mais formosos?!... Do céu azul, da flor,...

a rosa - narcisa amália - comentário

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            A ROSA    -    Narcisa Amália         Que ímpia mão te ceifou no ardor da sesta          Rosa d'amor, rosa purpurea e bela?                             Almeida Garrett     Um dia em que perdida nas trevas da existência Sem risos festivais, sem crenças de futuro, Tentava do passado entrar no templo escuro, Fitando a torva aurora de minha adolescência. Volvi meu passo incerto à solidão do campo. Lá onde não penetra o estrepitar do mundo: Lá onde doura a luz o báratro profundo, E a pálida lanterna acende o pirilampo. E vi airosa erguer-se, por sobre a mole alfombra. De uma roseira agreste a mais brilhante filha! De púrpura e perfumes - a ignota maravilhal! Sentindo-se formosa, fugia à meiga sombra! Ai, louca! Procurando o sol que abrasa tudo Gazil se desatava à beira do caminho; E o sol, ébrio de amor, no ...

desengano - narcisa amália

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        DESENGANO   _narcisa amália_   Quando resvala a tarde na alfombra do poente E o manto do crepúsculo se estende molemente, Na hora dos mistérios, dos gozos divinais Despedaçam-me o peito martírios infernais E sinto que, seguindo uma ilusão perdida Me arqueja, treme e expira a lâmpada da vida Feriu-me os olhos tímidos o brilho da esperança A luz do amor crestou-me o riso da criança: E quando procurei - sedenta - uma ventura, Aberta via a fauce voraz da sepultura!... Dilacerou-me o seio, matou-me a crença bela, O tufão mirrador de hórrida procela! Então pálida e triste, alcei a fronte altiva Onde se estampa a dor tenaz que me cativa; Sorvi na taça amarga o fel do sofrimento. E a voz queixosa ergui num último lamento: Era o cantar do cisne, o brado da agonia... E a multidão passou soberba, muda, fria! Desprezo as pompas loucas, desprezo os esplendores, Trilhar quero um caminho orlado só de dores: E além, ...

o baile - narcisa amália

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                 O BAILE              Esta fingida alegria,            Esta ventura que mente,           Que será delas ao romper do dia?..                                 G Dias *   A noite desce lenta e cheia de magia; A multidão febril do templo de alegria,          Invade as vastas salas O mármore, o cristal, a sede e os esplendores, Do manacá despertam os mágicos olores,          À languidez das falas.   Ao rutilar das luzes as dálias desfalecem.. Roçando o pó as vestes das virgens s'enegrecem.            Enturva-se a brancura... O ar vacila tépido... a música divina Semelha o suspirar de uma harpa peregrina.           E a hora da loucura!   Pela janel...

amor de violeta - narcisa amália

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  AMOR DE VIOLETA       As violetas são os serenos pensamentos que    o mistério e a solidão despertam na alma verdejante      da esplêndida primavera.                                   Luís Guimarães Júnior   Esquiva aos lábios lúbricos Da louca borboleta, Na sombra da campina olente, formosíssima Vivia a violeta. Mas uma virgem cândida Um dia ante ela passa, E vai colher mais longe uma faceira hortênsia Que à loura trança enlaça. "Ai!" geme a flor ignota: "Se pela cor brilhante Que tinge a linda rosa, a tinta melancólica Trocasse um só instante; Como sentira, ébria De amor, de mágoa enleio, Do coração virgíneo  as pulsações precipites. Unida ao casto seio!" Doudeja a criança pálida Na relva perfumosa, E a meiga violeta ao pé mimoso e célere Esmaga caprichosa. Curvando a fronte exânime Soluça a flor singela: "Ah! como sou feliz!  Perfumo a pl...