a tartaruga e o óbvio
seis décadas. seis. é muito? para um humano urbano, que trabalhou por mais de quatro décadas para enriquecer os outros, é muito. já para uma tartaruga é pouco. queria dizer algo que prestasse a respeito da solidão que é inerente a certas fases da vida. só me vem um chiado no ouvido, motor de ônibus ao fundo e o tec tec do teclado aqui, na minha frente... vivi sempre acompanhado, com a maioria dos humanos com quem circulei. vivi achando que o compartilhar coisas, humores, suor, vibrações e arte seria suficiente para a vida inteira. mas não é. a gente nasce sozinho, morre sozinho. ninguém morre pela gente, toma água pela gente, é óbvio. a mim, o óbvio sempre foi uma surpresa escondida. escondida ou negligenciada, eis a questão. nas terapias da vida ou pelos livros, ou na esteira do trabalho, a gente vai descobrindo fissuras no na nossa capa de suposto herói. passa o tempo e a experiência vai mostrando do que a gente é feito. óbvio. queria escrever algo que prestas...