pensar na morte esvazia ansiedade

                                          

na crônica  "sobre morte e morrer", machado registra: "qualquer de nós teria organizado este mundo bem melhor do que saiu". é a primeira linha. queria ter escrito isso, embora todo mundo diz tal coisa com outras palavras, gestos ou até silêncio. organizar o mundo é necessário, a começar pela vida própria. e pensar na morte esvazia um pouco a ansiedade, acreditem. dá ideia de que algo pode ficar como legado. algo bom ou ruim, não importa. falando nisso, mortes na literatura: pode-se começar por aquela quase suave em "iracema"; ou a sanguinolenta de "a hora a e a vez de augusto matraga" ou ainda a intensa de madalena, em "são bernardo". há outros tantos textos que passam pelo assunto “morte”, como em "o cortiço" (efeitos da miséria), "noite na taverna" (efeitos do álcool) ou "nove noites" (efeitos da angústia). 
agora, para seu espanto, uma outra de machado. na crônica "considerações sobre o suicídio", ele dispara: "(...) a questão do suicídio é antes resolvida no sentido da fraqueza que no da coragem. É um problema psicológico fácil de tratar entre o largo do Machado e o da Carioca. Se o bond for elétrico, a solução é achada em metade do caminho".

discordo.
quem bota fim na existência tem muita coragem. aqui, foi
 piadinha ácida e desnecessária desse machado de assis (1839-1908). 


* o nome "largo do machado" faz referência ao oleiro andré machado que, no século 18, era dono de terras no lugar

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