[um dos poucos buracos no mundo com memória ]em frente a casa de meus pais, em ribeirão preto, havia um terreno grande, com uns buracos cheios de formiga e
pequenos lagartos cinza e verde, alvos perfeitos para nossas pedradas. era o começo
dos anos 1970. chamávamos um dos buracos de "base". eu e irmão renato íamos pra lá e
olhávamos o mundo de outro jeito, pelo menos de baixo pra cima.
brinquei ali na rua altino arantes, com dimas, roque (um cachorro preto e branco), jussara, quenia
e mais uns outros moleques de uma vila, na mesma quadra. do cachorro, na verdade, eu tinha medo, mas não faz diferença agora. o número da casa era 543. moramos aí de 1969 a 74.
as
pessoas perdi com o tempo; a "base" não existe mais porque demoliram
o terreno, que agora se chama "conjunto de casas". aliás, várias casas, nessas últimas décadas foram feitas sobre nossa base. já tive vontade de voltar pra lá,
tempos atrás -- antes da chegada das casas -- meter-me num buraco, quem sabe de repente sairia como personagem de livro de guimarães rosa. ele gostava de um furo no chão, uma vereda escura... mas rosa já
morreu e buracos não costumam ter memória.
um dia ainda caio em um.
todos caem.
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