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terça-feira gorda - caio fernando abreu - comentário

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                                                        caio fernando abreu (1948 - 96) o texto se inicia com a descrição de uma dança sedutora de um homem para outro homem,  sendo este último, o narrador.  D e repente ele começou a sambar bonito e veio vindo para mim. Me olhava nos olhos quase sorrindo, uma ruga tensa entre as sobrancelhas, pedindo confirmação. Confirmei, quase sorrindo também, a boca gosmenta de tanta cerveja morna, vodca com coca-cola, uísque nacional, gostos que eu nem identificava mais, passando de mão em mão dentro dos copos de plástico. Usava uma tanga vermelha e branca, Xangô, pensei, lansã com purpurina na cara, Oxaguiã segurando a espada no braço levantado, Ogum Beira-Mar sambando bonito e bandido. Um movimento que descia feito onda dos quadris pelas coxas, até os pés, ondulado, então olhava para baixo e o movime...

diálogo - caio f abreu - comentário

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                                                          caio fernando abreu [1948-96] " diálogo ", do livro "morangos mofados", texto em discurso direto, na estrutura de um drama, uma peça teatral. veja as primeiras linhas e o final: A: Você é meu companheiro.  B: Hein?  A: Você é meu companheiro, eu disse.  B: O quê?  A: Eu disse que você é meu companheiro.  B: O que é que você quer dizer com isso?  A: Eu quero dizer que você é meu companheiro. Só isso.  B: Tem alguma coisa atrás, eu sinto.  A: Não. Não tem nada. Deixa de ser paranóico.  (...) A: Eu quero que você seja meu companheiro, eu disse.  B: O quê?  A: Eu disse que eu quero que você seja meu companheiro.  B: Você disse?  A: Eu disse?  B: Não. Não foi assim: eu disse.  A: O quê?  B: Você é meu co...

aqueles dois - caio fernando abreu - comentário

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  " aqueles dois ", conto do livro "morangos mofados", caio f abreu (1948-96) raul e saul trabalham numa mesma firma. um é do norte do país, outro do sul. gostam de van gogh, de dalva de oliveira, carlos gardel e bebidas. trabalham num lugar que, segundo um deles era um "deserto de almas também desertas". a aproximação deles é algo lento, natural, sem barulhos ou dilemas. não há, explicitamente, ao longo da narrativa, uma relação sexual entre eles, mas são bastante íntimos. raul perde a mãe, passa uma semana fora. saul sente falta. raul volta, eles bebem, se abraçam longamente. dormem no mesmo quarto, nus. saul vai embora logo cedo. logo depois, em janeiro, o chefe da repartição comunica a ambos que recebeu cartas de "um atento guardião da moral". nelas, falava-se em "psicologia deformada" e outras acusações. o chefe, temendo pela imagem da empresa, demite os dois. termina assim: Demoraram alguns minutos na frente do edifício. Depois ap...